Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/11/2021

De acordo com o filósofo Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. No entanto, esse pensador é contradito pelo cenário atual brasileiro no que tanje o tratamento de transsexuais e travestis. Em todo o mundo, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans, portanto é preciso encontrar alternativas para combater esse preconceito. Nesse sentido, essa problemática tem como causa lacunas educacionais a respeito da identidade de gênero, e, como consequência, o convívio social e vida educacional e profissional dessa parcela social severamente prejudicados.

Nesse viés, é possível observar que a raiz do preconceito que atinge transsexuais e trangêneros é a falta de conhecimento da população acerca da identidade de gênero e da vivência de pessoas que fogem do padrão cisnormativo. O filósofo francês Voltaire defende que “o preconceito é opinião sem conhecimento”. Portanto, conclui-se que a desinformação sobre o assunto reforça estigmas estabelecidos na sociedade brasileira há décadas, que são usados como justificativa para os diversos tipos de agressões que pessoas trans sofrem.

Por consequência, a parcela da sociedade marginalizada em questão sofre com os efeitos dessa opressão em diversas áreas de suas vidas. Diversas universidades brasileiras adotaram o sistema de reserva de vagas para trans e travestis para capacitá-los para o mercado de trabalho que não é nem um pouco acolhedor para essa comunidade. A hostilidade do mercado profissional para com esse grupo se mostra na necessidade que o deputado federal Alexandre Padilha viu de formular um projeto de lei que exigisse cotas para pessoas trans em empresas ligadas ao governo. A mais grave das consequências que a transfobia tem é o homicídio em massa que transsexuais, transgêneros e travestis sofrem todos os anos. Em 2011, o número de homicídios de pessoas trans no Brasil atingiu a casa das centenas, e, desde então, não foi menor que 100 casos por ano. É possível ver, também, a magnitude dessa violência quando observada a expectativa de vida da população T que, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), é de 35 anos.

Diante dessa problemática, é de responsabilidade do Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, a inclusão do estudo sobre identidade de gênero, a vivência e a história da comunidade trans no conteúdo passado no ensino básico. Essa inclusão ocorrerá por meio de uma mudança no currículo escolar base e terá a finalidade de difundir, a todos os alunos da rede pública de ensino, o conhecimento necessário para mitigar os estigmas associados a essa população oprimida e combater a transfobia no Brasil. Apenas assim, será possível ver um futuro melhor para pessoas trans, e ter uma sociedade balanceada de acordo com o pessamento aristotélico acerca da justiça.