Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/11/2021

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a luta contra a transfobia no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete o caos, o preconceito e a intolerância presentes no corpo social, assim, evidenciando uma grave mazela que precisa ser extinguida, pois, deturpa a harmonia comunitária. Portanto, é mister anuir que a ausência de ações sociais, as quais promovam o respeito mútuo e o combate à discriminação, adjunto ao descaso do Governo, são as razões para a cristalização do revés.

Em primeira instância, é fulcral assentir que o panorama contemporâneo excruciante, o qual é vivenciado pela comunidade trans é fruto da escassez de ações afirmativas, haja vista que essas são demasiadamente relevantes para consolidar o bem-estar coletivo, uma vez que são responsáveis por coibir as desigualdades sociais, além de proporcionar oportunidades, combater o preconceito e garantir que seus direitos sejam corroborados no meio coletivo. Contudo, a carência de investimento e execução dessas campanhas, contribuí para um cenário assombroso, no qual as pessoas trans são desrespeitdas, inferiorizadas e desamparadas socialmente. Nesse contexto, é explícito a semelhança entre o quadro vigente e a “Modernidade Líquida”, descrita pelo sociólogo Zygmunt Bauman como uma sociedade superficial, caracterizada pela falta de empatia e alteridade, porém lauta de hostilidade.

Em segunda análise, urge ratificar que o poder público é responsável pelo cenário abjeto, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Dessa forma, contribuindo para o progresso dessa adversidade na sociedade, ignorando sua responsabilidade com as pessoas trans em garantir o bem-estar comunitário. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituição Zumbi”, criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para definir instituições que não cumprem suas funções, todavia mantém suas formas. Outrossim, há uma violação a Declaração Universal dos Direitos Humanos, devido ao desamparo social e a discriminação que essa comunidade sofre, assim ficando vulnerável a situações de risco, como quais deturpam sua qualidade de vida.

Dessarte, para evitar uma situação semelhante ao século XVII, a qual era severamente criticada por Gregório de Matos, far-se-á que o Governo brasileiro, enquanto instância máxima da administração executiva, providencie campanhas sociais, como quais incentivos o combate ao preconceito , além de efetivar os direitos da comunidade trans e atenuar como desigualdades, por meio de um grande investimento e parcerias com associações coletivas, logo ampliando o alcance dessas ações e sua eficiência. Desse modo, garantindo o respeito, o amparo e o bem-estar social dessa população.