Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 01/09/2020
No mito fundador de Roma, conta-se que Remo e Rômulo foram amamentados por uma loba, eles cresceram fortes e saudáveis, posteriormente tornando-se fundadores de Império. Todavia, a realidade é bem distinta, leite animal não contribui para a nutrição dos bebês da mesma forma que o aleitamento materno exclusivo. Sobre essa questão, o Brasil enfrenta diversos obstáculos, que devem ser analisados e superados visando ao desenvolvimento dos infantes. Sendo assim, vale destacar a importância do aleitamento materno e seus desafios.
Mormente, é apropriado destacar a importância da amamentação para o desenvolvimento físico, imunológico e emocional dos recém-nascidos. Segundo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) o leite materno evita obesidade infantil, além de possuir anti-corpos da mãe, funcionado como uma espécie de vacina, impulsionando o sistema imunológico da criança. Ademais, o momento do aleitamento reforça a ligação emocional entre as partes, diminuindo as chances de rejeição parental, fruto de depressão pós-parto; somado a isso, a sucção ajuda nas contrações uterinas, que voltam ao seu estado antes da gestação. Logo, é imprescindível adotar medidas de incentivo à amamentação.
Outrossim, os desafios enfrentados pelas mulheres que desejam amamentar são grandes; eles perpassam os aspectos físicos até os sociais. No tocante as questões físicas, os principais empecilhos são: à pega do bebê e a frequência das mamadas, pois levam a dores constantes, podendo até lacerar a mama. A filósofa alemã Hannah Arenth afirmou: “quando o mal é feito constantemente as pessoas param de vê-lo, tornando-o banal.”. A ideia da pensadora relaciona-se com os desafios sociais enfrentados pelas mães, haja vista o preconceito naturalizado no Brasil, que impede muitas mulheres de amamentar por vergonha; para além disse, há as falácias sobre o leite materno ser “fraco” e insuficiente, levando muitos pais a optar pela fórmula. Diante disso, é evidente a necessidade de uma rede de apoio à mãe lactante.
Urge, portanto, entender a importância do aleitamento materno e seus desafios como problemas sociais e procurar mitigá-los. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde aumentar o número de Centros de Aleitamento, com intuito de oferecer informações sobre as técnicas certas para evitar dor, ainda deve colocar enfermeiras especialistas na área em todas as maternidades. Somado a isso, a família precisa constituir uma rede de apoio desconstruindo preconceitos, a fim de criar um ambiente seguro e agradável para amamentação. Assim, poder-se-á alcançar melhores índices no Brasil, por conseguinte crianças mais saudáveis que Remo e Romulo.