Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 08/08/2020
O livro “O Conto da Aia”, escrito por Margaret Atwood, apresenta uma sociedade distópica, na qual um grupo de mulheres que ainda podem engravidar são obrigadas a gerarem os filhos para algumas famílias. Nesse contexto, essas aias permanecem em contato com o bebê até o fim da amamentação e só depois se desvinculam das crianças. Sob tal ótica, para além da ficção, o aleitamento é crucial para a formação de indivíduos saudáveis. No Brasil, todavia, essa prática, lamentavelmente, por mais que seja indispensável, ainda é vista com maus olhos por conta da sexualização do corpo feminino.
Diante desse cenário, constata-se que o leite materno é imprescindível para o desenvolvimento de indivíduos. Nesse viés, isso pode ser explicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o qual afirma que as crianças recebedoras de aleitamento, por parte de suas mães, possuem melhor desenvolvimento e apresentam relativo aumento da inteligência em relação às que não tiveram acesso a esse recurso. Percebe-se, dessa maneira, a importância de tal ato para a formação de indivíduos com todos os nutrientes necessários para uma fase adulta saudável. Por conta disso, o acesso à essa substância deve ser visto como um direito natural dos recém-nascidos.
Por outro lado, muitas mulheres possuem empecilhos para o ato de amamentar, fato deplorável causado pela sexualização de seus corpos. Isso ocorre porque, ao deixar os seios a mostra quando realizam essa prática, muitas cidadãs são coagidas pelos olhares de outras pessoas, que contribuem para a diminuição do aleitamento em determinados ambientes. Nesse contexto, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, a violência simbólica é um conceito social, o qual consiste em uma violência exercida pela sociedade sem coação física, causando danos morais e psicológicos. Seguindo essa linha de pensamento, pode-se afirmar que diversas mães, ao amamentar em público, são frequentemente vítimas da violência simbólica, que além de restringir uma prática tão precisa, reafirma os preconceitos de gênero presentes da sociedade atual.
Pode-se perceber, portanto, que o aleitamento é uma prática essencial, contudo, no Brasil, algumas atitudes nefastas dificultam esse processo, e devem ser amenizadas. Para tanto, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve promover um projeto que inclua aulas periódicas para explicar o processo da gestação e da amamentação com naturalidade para as crianças, por meio da contratação de profissionais da área. Desse modo, ao se tornarem adultos, esses alunos irão tratar com mais naturalidade o tema, mudando, assim, a forma de agir dessa geração. Feito isso, a violência simbólica que mães sofrem serão diminuídas e o aleitamento materno poderá ser realizado com mais tranquilidade no Brasil.