Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 09/08/2020
De acordo com o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito social assegurado pelo Estado. Em contrapartida, frequentemente, um importante recurso para o desenvolvimento saudável de bebês e crianças, o ato de amamentar, enfrenta desafios como a sexualização do corpo feminino e a adesão a complementos alimentares industrializados. Logo, urge o debate acerca dessa problemática advinda da ignorância de certa parcela da sociedade, além de meios para saná-la.
Nesse contexto, indiscutivelmente, do ponto de vista biológico, os seios femininos tem como principal função a amamentação. Entretanto, em uma sociedade assolada pela objetificação da mulher, tal parte do corpo foi alvo da fetichização masculina. Nesse viés, cita-se a ex-deputada Manuela D’ávila que gerou uma polêmica nacional por levar sua filha ao plenário e amamentá-la na sessão, fato que reafirma a intolerância à presença feminina e sua vertente materna em espaços de poder. Desse modo, é inegável que a intimidação transfere conotação de vergonha à exposição do corpo e transforma o aleitamento materno em uma ação extraordinária que deve acontecer longe do público.
Sob esse viés, tais fatos, associados à dinâmica capitalista que encurta o tempo de vivência familiar, geram a tendência ao abandono da amamentação e a adoção de fórmulas e alimentos industrializados. Dessa forma, é dada a relevância de obras como a novela “Amor de Mãe” que retratou a importância de tal ato, até em casos como a adoção, em que é possível estimular o aleitamento em mães adotivas. Dessa forma, fica clara a importância dessa prática no estabelecimento do vínculo afetivo e no fortalecimento da saúde do bebê, que recebe anticorpos e nutrientes.
Portanto, urge a intervenção dos atores sociais diante dos desafios do aleitamento materno no Brasil. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde, por meio meio da televisão e da internet, institua a semana nacional da amamentação, pois, ao veicular cenas reais aliadas à importância da prática, se atingirá o objetivo da naturalização de sua ocorrência em espaços públicos. Além disso, é importante que o Estado exija dos hospitais, por intermédio da distribuição de cartilhas, o fomento, durante o pré-natal, dos benefícios de amamentar, bem como o incentivo à adoção dos bancos de leite em determinados casos. Em síntese, somente com tais medidas, se cumprirá o direito social assegurado na Constituição.