Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 16/07/2020
O médico grego, Sorano de Éfeso, no século 2, depois de Cristo, afirmava que o leite materno é melhor para criança do que qualquer outro alimento. Nesse contexto, percebe-se a importância que o aleitamento materno possui na vida recém-nascido, haja vista que esse pensamento permeia na contemporaneidade. Nesse âmbito, pode-se analisar que as questões que envolvem essa prática está relacionada ao preconceito e a impossibilidades impostas às mulheres.
Inicialmente, é importante ressaltar que o preconceito acerca da amamentação, principalmente, em locais públicos é um desafio no país. À exemplo disso, os dados divulgados pela Revista Crescer, no qual afirma que, aproximadamente, 47% das mulheres entrevistadas relataram que foram criticadas ou sofreram algum tipo de preconceito devido a amamentação em ambientes públicos. Isso acontece porque há uma herança histórico-cultural em que as pessoas foram instruídas à esconder as partes íntimas com vestimentas, em razão, de que consideram essa exposição do corpo como fator que estimula o indivíduo a sentir alguma atração sexual e um constrangimento pela amamentação. Consequentemente, são recorrentes narrativas de pessoas que tentam proibir as mães de realizar esse ato em locais públicos.
Ademais, é imperativo pontuar que existem impossibilidades impostas às mulheres no que se refere à concretização do aleitamento materno. Tendo como exemplo disso, as estatísticas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no qual expõe que, no Brasil, em média, 39% dos bebês de até 6 meses são alimentados exclusivamente com leite materno. Dessa forma, nota-se que o capitalismo globalizante aliado à Consolidação das Leis Trabalhistas, inferem que as mulheres retornem às atividades laborais mais cedo, na maioria das vezes, antes dos 6 meses de vida do bebê, o que faz com que as genitoras recorrem às indústrias lácteas infantis que fabricam leite artificialmente, ocasionando malezas ao futuro da criança, como obesidade e falta de vitaminas essenciais. Com isso, é necessário criar novos métodos para a realização plena da amamentação.
Portanto, é perceptível que o preconceito e as impossibilidades impostas às mulheres dificultam o processo de aleitamento materno. Sendo assim, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Saúde, criar propagandas socioeducativas acerca da importância da amamentação para a vida do bebê e a realização desse ato em ambientes públicos, por meio da declaração de profissionais formadores de opiniões, como o doutor Drauzio Varella, a fim de minimizar essa consciência preconceituosa sobre o aleitamento. Além disso, as empresas, devem flexibilizar o tempo da licença maternidade, por meio da disponibilidade de 6 meses, a fim de ratificar a afirmação feita por Sorano.