Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 01/07/2020
O alimentação através do leite humano é importante para o desenvolvimento infantil já que pode prevenir doenças e alergias, fortalecer o sistema imunológico e aumentar o bem estar da mãe e da criança por meio dos vínculos emocionais estabelecidos. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno como alimento exclusivo até os 6 meses e em conjunto com outros alimentos até os 2 anos de idade da criança. No entanto, contrariando as orientações da OMS, muitas crianças brasileiras não vivenciam esta recomendação na prática e, desta forma, a amamentação é um problema de saúde pública no país. Assim, há de se combater o preconceito e os fatores legais que inviabilizam o aleitamento materno no Brasil.
Primeiramente, muitas mães que precisam amamentar em público são alvo de preconceito. A amamentação é uma evolução natural dos mamíferos visando garantir a sobrevivência da espécie. Através dela o bebê fortalece o vínculo com a sua progenitora e tem acesso aos nutrientes e, nos primeiros dias de vida, à anticorpos necessários ao desenvolvimento saudável. Entretanto, a banalização da amamentação bem como, o seu impedimento por meio de insultos e olhares repressores desencorajam e coíbem as mães que precisam alimentar seus filhos em público. Assim, enquanto o preconceito for a regra a promoção da saúde e bem estar da criança e da mãe serão a exceção.
A esse respeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas, CLT, brasileira determina que a licença maternidade é garantida por lei por 120 dias, podendo ser estendida pela empresa por até 180 dias. Dessa forma, fica evidente que a legislação inviabiliza a alimentação exclusiva com leite materno proposta pela OMS já que o tempo legal é menor do que o recomendado. Assim, a lei contribui para que haja um encurtamento no período de amamentação o que fragiliza a promoção da saúde das crianças brasileiras. Portanto, não é razoável que um país que busca ser considerado desenvolvido negligencie ações necessárias à saúde da população.
Portanto, é urgente ações para que as famílias possam alimentar suas crianças com o leite materno. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde faça campanhas educativas nos meios de comunicação de massa a fim de mitigar o preconceito contra a amamentação em público. Também é primordial que os deputados federais façam alterações na legislação trabalhista a fim de tornar obrigatória a licença maternidade de 180 dias. Assim, somente com ações pontuais o aleitamento materno no Brasil deixará de ser um problema de saúde pública para se tornar um fator de promoção da saúde.