Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 05/08/2020
Consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite materno é a melhor forma de garantir os nutrientes essenciais aos recém-nascidos até, pelo menos, os 6 meses de idade. Entretanto, quando se observa o contexto social atual do país, nota-se que o aleitamento materno é uma problemática paradoxal, visto que, apesar da disseminação de informações, há problemas físicos maternos que impedem o aleitamento recomendado, além de problemas relacionados ao preconceito acerca da amamentação em locais públicos. Nesse prisma, faz-se mister encontrar subterfúgios combativos a fim de sanar os empecilhos ao aleitamento materno.
É válido destacar, a priori, que a dificuldade que as mães tem em amamentar é o maior entrave para o aleitamento. Segundo dados da OMS, apenas 39% dos bebês de até 5 meses são alimentados exclusivamente com leite materno. Tal fato revela que obstáculos como, o bebê não conseguir se encaixar para sugar o leite de forma eficaz, fissuras nas mamas e dor, são decisivos para que as mães recorram a opções mais fáceis e práticas, optando por fórmulas de leite artificial. Isso pode corroborar prejuízos futuros à criança, haja vista que o leite materno fornece inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos que nenhum outro possui. Assim, é imprescindível que vias salutares sejam encontradas com o propósito de estimular de forma mais persuasiva o aleitamento.
Outrossim, a Constituição Federal de 1988 garante a todo indivíduo o direito à saúde, sendo que o apoio social ao aleitamento constitui um estímulo à promoção desse direito. Contudo, tal exercício esbarra em constrangimento moral, devido ao preconceito e à discriminação que muitas mães enfrentam ao amamentarem seus filhos em vias públicas, evidenciando a primazia de uma sociedade essencialmente machista e conservadora. Dessa forma, vê-se que há certa ignorância civil a respeito do tema, o que permite que episódios de julgamentos por parte da sociedade ocorram dia após dia. Logo, é crucial medidas mais contundentes para o enfrentamento da problemática.
À luz dessas considerações, é essencial a reformulação de políticas públicas que visem ao estímulo ao aleitamento materno. Destarte, compete ao Ministério da Saúde, aliado ao Poder Midiático, criar campanhas contínuas de incentivo ao aleitamento e combate ao preconceito, com a participação de profissionais da área, por meio de palestras e mídias sociais, com o fito de estimular as mães a seguirem o aleitamento recomendado e desmistificar o tabu sobre tal. Além disso, o Poder Público deve ampliar os bancos de leite materno, com a finalidade de suprir as necessidades das mães que, por razões físicas, não consigam amamentar seus filhos. Com isso, poder-se-á garantir o crescimento saudável dos bebês.