Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 09/10/2019
A presença de glândulas mamárias é um componente de tamanha importância para um determinando grupo de seres vivos, que acabou sendo a característica determinante para a classificação taxonômica desses. Nesse sentido, o ato de mamar é inerente a uma condição dessa classe animais, os mamíferos, dentre eles o homem. Contundo, observa-se que o que deveria se constituir em um hábito guiado por razões de ordem natural acaba recebendo várias influências da cultura, agindo de forma limitante à prática da amamentação. Isso ocorre tanto pela falta de uma rede de apoio à esse ato, bem como pelo preconceito presente na sociedade.
A princípio, cabe ponderar que a amamentação, como característica da espécie e relacionada tanto à proteção como ao cuidado sobre a prole, merece a atenção não apenas da genitora, mas do conjunto da sociedade. Nesse sentido, organizações internacionais como a UNICEF, criou uma série de estímulos aos municípios para que priorizem esse ato tão importante no desenvolvimento da primeira infância, dentre eles o prêmio Hospital Amigo da Criança, que visa incentivar o aleitamento materno desde o parto. Ademais, a participação da família em oferecer cuidados à lactante, colaborando com os cuidados ao bebê e às atividades do cotidiano, corroboram com a prática mais adequada de alimentação dos infantos nos seis primeiros meses de vida, se constituindo numa rede de proteção.
Outrossim, pesa sobremaneira em relação à amentação o preconceito social da realização dessa em público. Infelizmente, na sociedade atual, relaciona-se, em muitos casos, o aleitamento como sendo algo imoral ou até libidinoso, o que é completamente descabido. Nesse cenário, importa citar o livro Revolução Laura, da ex-Deputada Federal Manuela Dávila, que aborda a experiência materna, inclusive no que tange a temática aqui discutida, no contexto da vida política durante a campanha eleitoral de 2018, quando percorreu o país sempre acompanhada de sua filha. Nesse relato, a autora expões como foi enfrentar os olhares preconceituosos e discriminatórios em sua jornada, demonstrando a relação destes com o machismo que permeia esse universo social.
Constata-se, portanto, que há fatores limitantes ao aleitamento materno na sociedade brasileira, sendo imprescindível a tomada de medidas para enfrentar essa situação. Diante disso, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, realize campanhas informativas junto aos mais diversos setores da sociedade, como escolas, empresas e associações comunitárias, de modo a promover o incentivo e respeito à amamentação. Logo, com a busca pela superação do preconceito e a sensibilização da sociedade será possível garantir uma melhor proteção às lactantes e um desenvolvimento mais saudável para as crianças.