Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 23/11/2020
No documentário " Meninas" são retratadas as dificuldades enfrentadas por um grupo de garotas entre 13 e 16 anos que engravidaram de maneira precoce. Analogamente ao que é apresentado no longa metragem, no cenário brasileiro atual, o tratamento da sexualidade como um “tabu” favorece a ocorrência de gestações juvenis. Além disso, como consequência da gravidez na adolescência, a evasão escolar e a dificuldade de entrada no mercado de trabalho aumentam a vulnerabilidade dos indivíduos inseridos em tal contexto. Sob esse viés, são necessárias ações governamentais, capazes de ampliar a comunicação entre o corpo social e a juventude acerca dos métodos de proteção sexual e dos reflexos da maternidade não planejada.
Primeiramente, cabe ressaltar que o entendimento da sexualidade como um “tabu” dificulta o estabelecimento de diálogos entre a sociedade e os adolescentes no que diz respeito ao uso de preservativos e de contraceptivos nas relações. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman afirmava que organizações, a exemplo do Estado, da Escola e da Família, são tidas como " Instituições Zumbis", visto que são omissas nos debates acerca de alguns assuntos primordiais. Dentro dessa perspectiva, torna-se claro que quando a introdução dos jovens às atividades sexuais é feita sem a devida orientação, a gravidez precoce figura-se como uma possibilidade. Nesse ínterim, urge a atuação conjunta dos atores sociais, em especial o Poder Público, na promoção de políticas de prevenção.
Ademais, a gestação na adolescência imprime sérias consequências na conjuntura dos indivíduos relacionados à questão. Na esteira desse processo, do ensino inconcluído até a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, a maternidade e a paternidade não planejada podem provocar situações que aumentam a vulnerabilidade social e econômica dessa conjuntura. No documentário “Meninas” isso é percebido na história de uma das jovens que ,após engravidar e abandonar a Escola, não consegue ser efetivada em um emprego devido as limitações impostas à ela pela gestação juvenil. Nessa ótica, alertar sobre os impactos da gravidez precoce deve ser uma ação interventiva concretizada.
Conclui-se, portanto, que é necessário que o Poder Executivo, junto com a Mídia, promova o fortalecimento da adesão de preservativos e contraceptivos por adolescentes. Isso se dará por meio de propagandas de prevenção da gravidez na faixa juvenil- que deverão ser protagonizadas por médicos e por influenciadores digitais- com a finalidade de reforçar a importância da proteção durante o sexo. Outrossim, o Estado e a Escola devem promover palestras e encontros entre os estudantes e os especialistas da saúde com o intuito de verbalizar as dificuldades enfrentadas por mães e pais em idade escolar. Com efeito, será possível reduzir a gravidez na adolescência no território brasileiro.