Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 20/11/2020
Platão descreve em sua obra “A República” uma sociedade pautada na harmonia comunitária. Entretanto, no distópico contexto brasileiro, as poucas ações governamentais para redução da gravidez na adolescência divergem do que foi fundamentado pelo pensador grego, visto que são necessárias alternativas para diminuição do número de gestações precoces. Com efeito, é válido ressaltar como os fatores governamentais e educacionais corroboram a permanência desse cenário flagelador.
Em primeiro plano, cabe avaliar como o meio institucional potencializa o revés. Nesse sentido, é possível analisar os conceitos de “Virtú” e “Fortuna” do filósofo Nicolau Maquiavel, quando afirmou que virtude é a capacidade governante em lidar com a fortuna, ou seja, os acasos da comunidade. Por conseguinte, a ineficiência governamental em tratar a minoração de gestações na adolescência como essencial gera uma alta nos índices do país, além dos riscos sofridos pelas mães, em razão da escassez de políticas públicas que auxiliam os adolescentes na prevenção, corroborando com o excessivo descaso.
Ademais, convém destacar o setor pedagógico no processo de alternativas para o decréscimo dos números de mães com idades entre 10 a 19 anos. Dado isso, é importante enfatizar a tese do sociólogo Paulo Freire, o qual entendia que se com a educação os problemas são complexos de resolver, sem ela não haverá nenhuma chance. Portanto, a ausência de um agente intermediador para melhorar a situação atual causa riscos para as jovens, acarretando também um aumento na taxa de mortalidade infantil devido os perigos da gestação, e assim, tal realidade permanece imutável na sociedade hodierna.
Depreende-se, portanto, que a falta de ações governamentais para reduzir a gravidez na adolescência se configura como um problema relativo ao desequilíbrio comunitário. Logo, o Congresso Nacional, órgão responsável por exercer as funções do Poder Legislativo, deve elaborar uma diretriz de investimento voltada à ampliação dos debates sobre gravidez na adolescência no âmbito familiar e educacional, com auxílio de palestras de personalidades importantes no assunto para os alunos e os pais, por meio de uma filtração e ordenamento prioritário conforme a necessidade de cada região, tendo, como finalidade, a promoção de atos para redução do número de gestantes adolescentes, promovendo, então, o que é deles por direito: saúde e bem-estar social. Destarte, o governo reverteria o estado de desordem coletiva.