Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 17/12/2020

Historicamente, era comumente aceito pela sociedade que mulheres se cassassem e tivessem filhos antes dos 20 anos, dedicando sua vida a maternidade e ao lar. Atualmente, mesmo possuindo acesso à educação, espaço no mercado de trabalho e o casamento sendo algo menos comum, a gravidez na adolescência ainda é uma problemática de saúde pública. Nesse sentido, debater possíveis ações governamentais para reduzir a gravidez na juventude é essencial.

Em primeiro plano, necessita-se analisar as causas desta persistência. De acordo com dados do Senado brasileiro, nas regiões Norte e Nordeste, estão concentradas os maiores índices de adolescentes gravidas em todo o país. Isso se deve ao fato dos baixos índices educacionais, prejudicando além da vida profissional e acadêmica dessas garotas, o acesso à educação sexual. Em contrapartida, nas regiões Sul e Sudeste, onde o sistema de ensino é mais bem avaliado, estão os menores números. É evidente que o contato com uma educação de qualidade ajuda não só na prevenção dessa problemática como também contribuí a longo prazo para melhoria coletiva da sociedade.

Além dos aspectos disciplinar, é fundamental discutir os entraves na área médica. O médico Drauzio Varella, explica que mãe com idades entre 15 e 19 anos tendem a apresentar mais problemas físicos, psicológicos e sociais. Sem contar que 20% da mortalidade infantil do país decorre de gravides de jovens. Esse cenário é ainda mais agravante nas regiões carentes e periféricas, pois até o acesso ao sistema de saúde para realização de exames pediátricos, pré-natais e ginecológicos são comprometidos.

Fica claro, portanto, que como uma questão de saúde pública, o maior protagonista para resolver essa problemática é o Governo Federal. Cabe então, ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação promoverem políticas para reduzir os índices de gravidez precoce. Isso deve ser feito por meio de aulas com participação de profissionais da área da saúde do SUS (Sistema Único de Saúde), onde pais e alunos possam aprender sobre educação sexual e planejamento familiar. Como medida paliativa, mutirões desses profissionais devem ir as comunidades carentes e zonas periféricas realizar atendimentos e coleta de dados. Além disso, visando o longo prazo devem-se investir recursos em construções de hospitais nessas regiões. Somente assim, essa problemática não será uma realidade obrigatória nas futuras gerações.