Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 09/06/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista Simone de Beauvoir pode servir de metáfora às ações do governo para a redução da gravidez na adolescência, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Diante disso, vale destacar as causas e consequências dessa problemática, que estão associadas à falta da educação sexual aliada aos empecilhos da prenhez.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a família, muitas das vezes, não informa sobre o ato sexual e seus métodos de prevenção, quebrando assim, a coerção do primeiro processo de socialização antropológico. Consoante a Émile Durkheim, esse panorama vai ao encontro do conceito “Anomia”, uma vez que há uma desorganização conjuntural, situação essa que reflete nas ações inconsequentes dos jovens, tal qual transar sem preservativos, podendo contrair doenças sexualmente transmissíveis ou engravidar. Dessa forma, é essencial que o segundo processo de socialização - a escola - atenue essa adversidade por meio da educação sexual, entretanto, nota-se que existe, ainda, um conservadorismo político e ideológico no Brasil que contrai a extensão da informação. Com efeito, tal impasse contraria a efetivação do lecionamento assegurado pela Constituição Federal e deve ser, imperiosamente, combatido.
Nesse sentido, por causa dessa ausência de conscientização sobre a temática, muitos adolescentes não se previnem e acabam engravidando precocemente, refletindo, lastimavelmente, na perpetuação da desigualdade social. Isso porque ser mãe e pai, principalmente quando jovem, requer muita responsabilidade, de feitio a prejudicar na trajetória estudantil e nos sonhos de planejamento de vida, uma vez que as famílias menos favorecidas economicamente terão que trabalhar e cuidar do filho ao mesmo tempo. Somado a isso, ainda há problemas no que tange ao acesso à saúde, visto que os custos para uma gestação e nem todos têm acesso à esse recurso. Logo, deve-se mudar a realidade da gestação juvenil, com intuito de solucionar as consequências retratadas.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização das pessoas a respeito do problema, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, aulas de educação sexual as quais expliquem o que é uma IST (infecção sexualmente transmissível), como impedir o contágio, o processo de uma gravidez, as consequências dessa e formas de preveni-la. Somente assim, a efetivação do lecionamento assegurado pela Constituição Federal será garantido e não nos habituaremos ao escândalo da gravidez precoce.