Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 07/06/2020

Evasão escolar e desestrutura familiar: como a gravidez na adolescência atinge as brasileiras

O período escolar é essencial para o desenvolvimento psicológico e social dos indivíduos, pois é nessa fase que as pessoas aprendem a conviver em comunidade e adquirem outros conhecimentos importantes para a sua vida, como falar em público e ter responsabilidades. Entretanto, por causa de gestações não planejadas, milhares de meninas perdem essa oportunidade todos os anos. Esse grave problema se dá tanto pela falta de aulas sobre educação sexual quanto pela escassez de diálogo entre os adolescentes e seus responsáveis.

Em primeiro lugar, destaca-se que diante do desafio da maternidade e, por geralmente pertencerem à famílias sem estruturas econômicas e emocionais, o abandono escolar se torna a única saída para uma parcela dessas jovens, que passam a ficar em casa cuidando de seus filhos. Segundo o Ministério da Educação, a taxa de evasão por parte de mães estudantes pode chegar a 18% em todo o país, sem uma formação, essas mulheres dificilmente conseguirão se inserir no mercado formal de trabalho. No caso das que pertencem às classes mais baixas - e que são as mais atingidas -, recorrer a empregos que ofereçam salários baixos será uma das poucas saídas para constituir a renda familiar.

Outro fator que contribui para o alto índice de gravidez entre moças de quinze e dezenove anos - 16% das brasileiras, segundo Drauzio Varella -, é o despreparo dos familiares para abordar questões da puberdade, como o desejo, as mudanças físicas e hormonais e os cuidados necessários ao se relacionar com uma pessoa. Por ser visto como um tabu ainda hoje, o sexo é um assunto evitado nos lares de 41% dos indivíduos do sexo feminino, de acordo com O Globo. Assim, não é possível a construção de uma rede de confiança entre pais e filhos, que encoraje o diálogo aberto e auxilie no processo de autodescoberta que essa fase traz.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse da gravidez na adolescência no Brasil. Sugere-se que o Ministério da Saúde, em parceria com as prefeituras de cada cidade, criem um programa em que os médicos residentes de ginecologia e obstetrícia sejam enviados a colégios públicos para darem aulas quinzenais sobre sexualidade aos alunos. Essas lições aconteceriam dentro do período letivo, com duração de cinquenta minutos e seriam baseadas em apostilas com conteúdo previamente selecionado por esses mesmos profissionais da saúde, atendendo as diferentes realidades brasileiras. Desta forma, os jovens criariam uma consciência sobre como cuidar do próprio corpo e iniciariam suas vidas sexuais de forma mais madura e segura, diminuindo, assim, o número de gestações indesejadas.