Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 04/06/2020

No filme “Preciosa”, a protagonista sofre com a maternidade precoce, concebida em um cenário de extrema vulnerabilidade social. Fora da ficção, no Brasil, muitas jovens de classe média e baixa enfrentam a difícil realidade de serem mães muito cedo. Isso se deve, sobretudo, a falta de informação e de um núcleo familiar estável, corroborando um agravante social e econômico. Desse modo, é necessário que a sociedade em geral, aliado ao Estado, atue de maneira engajada no sentido de evidenciar as causas e propor soluções adequadas à atual conjuntura.

É indubitável pontuar, inicialmente, que o acesso restrito a programas de educação sexual nas escolas, favorece a ocorrência de quadros de gravidez indesejada. Nesse contexto, destaca-se um estudo de 2019 da Fundação Abrinq, que comprovou que quase 30% das mães adolescentes, com até 19 anos, não concluíram o ensino fundamental. Evidenciando que o contato com conteúdos relacionados à prevenção de gravidez precoce normalmente, ministrados na escola, não ocorreu, de modo a favorecer essa situação. Como desdobramento, essas jovens terão condições limitadas de ascensão social. Posto que, a escolarização contínua é pré-requisito para diversas vagas de emprego, acarretando a um ciclo de perpetuação da pobreza, exclusão e desigualdade social.

Outrossim, é imprescindível ressaltar que a falta de suporte familiar predispõe meninas a sujeitar-se a relacionamentos abusivos, por medo de não conseguirem se manter financeiramente sozinhas ou de precisarem recorrer à prostituição. Dessa forma, casam-se muito novas, enfrentando a difícil realidade de serem mães e esposas muito antes do que sonhavam, o que resulta na dependência financeira do companheiro. Destarte, o Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em números absolutos de mulheres casadas antes dos 15 anos de idade, como pode comprovar uma pesquisa da UNICEF, realizada em 2011. Sob tal ótica, atividades de caráter preventivo e educativo tornam-se cada vez mais necessárias para combater essa difícil situação.

Portanto, medidas devem ser tomadas. Cabe às escolas oferecer o acesso aos adolescentes e jovens disciplinas voltadas para a educação sexual e para o planejamento familiar. Essa conquista pode ser viabilizada ao se pressionar o Ministério da Educação para inclusão na grade curricular de conteúdos relacionados à saúde, como ações que promovam os direitos, a autonomia e o empoderamento dos estudantes frente ao planejamento familiar. Com o fito de reduzir o índice de gravidez não planejadas. Desse modo, o Brasil não terá tantas jovens de até 19 anos enfrentando o mesmo problema que a protagonista do filme “Preciosa”.