Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 11/06/2020
Na obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa no cenário hodierno é o oposto do que o autor prega, já que a gravidez na adolescência ainda não apresenta ações governamentais para sua redução, dificultando os planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de educação sexual nas escolas e do tabu desse assunto no cotidiano, dificultando, assim, sua liquidez. Logo, é essencial o debate dessa problemática para liquidá-la.
A priori, é imperioso destacar que as gravidezes precoces ocorrem devido a falta de conhecimento em como fazer sua prevenção. Isso porque, mediante a ausência de uma orientação adequada, os indivíduos são expostos à doenças sexualmente transmissíveis e à geração de um bebê. Segundo o escritor francês, Victor Hugo, quem abre uma escola fecha uma prisão. Nesse panorama, avalia-se a criança como restritora da liberdade dos pais, que por não obterem discernimento de como evita-lá, acabam concebendo-a. Dessa maneira, é evidenciado a importância desse ensino para não prejudicar nenhum desses jovens.
Ademais, é imperativo pontuar que as adolescentes grávidas enfrentam várias inseguranças e preconceitos, como visto no filme Juno. Esse agravante modifica o cotidiano da futura mãe, seja por percas de oportunidades ou até mesmo na evasão escolar. O tabu, aquele assunto que não se fala abertamente, impede a discussão, o que favorece a não adesão de métodos contraceptivos e a consequente gravidez. Logo, não só a família e os outros meios importantes de socialização, mas como também o Estado se torna negligente nas políticas públicas de prevenção e conscientização acerca do assunto. Logo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a quase nula participação política na redução da gravidez abaixo dos 18 anos. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela formação civil - inserir, nas escolas, a disciplina de educação sexual no ensino médio. Essa ação deve ser feita por meio da dependência do pai assinar um termo de aceitação para seu filho participar da aula. Além disso, difundir campanhas, por meio das mídias de grande alcance, para que o sujeito entenda a realidade da situação enfrentada, tanto da dificuldade em contar para os pais, quanto do concebimento de um recém-nascido nessa idade. Espera-se que, com isso, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto desse obstáculo, e a coletividade alcançará a Utopia de More.