Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 30/10/2019

No filme ‘’June’’, é retratada a história de uma adolescente lidando com as consequências de uma gravidez indesejada. Não distante da ficção, no Brasil, o mesmo cenário pode ser observado, uma vez que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 20% dos bebês nascidos vivos têm mães entre 15 e 19 anos. Diante disso, tornam-se passíveis de discussão os principais fatores relacionados à problemática, destacando, principalmente, a saúde pública e falta de diálogo entre pais e filhos.

Antes de tudo, é preciso entender que ineficiência da saúde pública está diretamente relacionada à incidência da gravidez precoce. Segundo médico renomado Dráuzio Varella, adolescentes pobres têm cinco vezes mais chance de engravidar do que as ricas. Isso porque jovens em situação de vulnerabilidade dependem de hospitais geridos pelo Estado para terem acesso a anticoncepcionais e, muitas vezes, por falta de fiscalização adequada, esses medicamentos estão vencidos. Dessa forma, o número de jovens gestantes aumenta, como evidenciado pelo portal G1, que registrou, ainda neste ano, o caso de seis jovens que, após receberem anticoncepcionais expirados em um hospital de São Paulo, agora lidam com os desafios da maternidade.

Além disso, a escassez de diálogo no âmbito familiar agrava a situação. Com a ascensão do Cristianismo no Império Romano, no século III, o conservacionismo foi instaurado nos lares romanos e, ao longo dos séculos, foi reproduzido nas casas brasileiras. Desse modo, assuntos envolvendo o corpo e sexualidade passaram a ser considerados tabu e, infelizmente, deixaram de ser debatidos. Assim, adolescentes do país inteiro iniciam suas vidas sexuais sem ao menos possuírem a instrução necessária para viverem essa nova etapa de maneira responsável e, por conseguinte, o número de jovens grávidas permanece alarmante.

Dessarte, a problemática precisa ser resolvida. Cabe ao Ministério da Saúde aumentar a fiscalização e garantir a qualidade dos métodos contraceptivos por meio de visitas mensais aos hospitais de postos de saúde de cada região e da aplicação de multas às unidades que não atendam ao padrão de excelência esperado. Com isso, tem-se como intuito diminuir a incidência de gravidez por descuido do Estado. Ademais, cabe ao Ministério da Família distribuir cartilhas informativas que ensinem aos pais não apenas como abordar o assunto sexualidade, mas também como responder às principais perguntas pertinentes ao tema. Essa distribuição deverá ser feita em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e locais de trabalho com a ajuda de pessoas cumprindo pena alternativa. Quem sabe, assim, a gravidez precoce deixe de ser um problema para o Brasil.