Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 30/10/2019

No livro “Cem anos de solidão”, do escritor Gabriel Garcia, é retratada a história de Remedios, uma moça que se casa muito jovem com Aureliano, e inicia suas relações sexuais de forma precoce, o que resulta na sua morte no momento do parto. Fora da literatura, no Brasil, a gravidez na adolescência é tratada como uma questão de saúde pública, pois de acordo com o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada, IPEA, uma a cada cinco crianças são filhas de mãe com idades entre 15 a 19 anos. Nesse sentido, é valido destacar como a vulnerabilidade social e a mentalidade dos jovens favorecem para o aumento desses índices.

É preciso considerar, antes de tudo, como a questão financeira atua na manutenção dessa realidade. Visto que nas comunidades carentes não existe um grande amparo do governo, principalmente no que tange a educação, as crianças não recebem as informações adequadas sobre os métodos contraceptivos e os perigos que a gestação precoce pode acarretar. A cerca disso, é pertinente o estudo de caso realizado pelo médico Dráuzio Varela, no qual demonstra que os maiores índices de gravidez em meninas de 15 a 19 anos estão associadas a um alto grau de pobreza. Assim, medidas para um maior alcance da conscientização dessa população vulnerável são necessárias.

Ademais, cabe salientar o papel da mentalidade hedonista no agravamento dessa problemática. De acordo com a obra “Raízes do Brasil”, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, “O brasileiro é um homem cordial”, isto é, coloca as emoções acima da razão. Desse modo, as consequências que uma gravidez precoce pode acarretar são deixadas de lado no momento da relação sexual sem o uso de preservativos, o que, por conseguinte, resulta em problemas de saúde tanto físicos, pela falta de preparo do corpo para essa situação, como psicológicos, já que a adolescente é muito pressionada nesse processo.

Fica claro, portanto, a necessidade de o Estado agir para preencher essas lacunas informacionais. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve buscar parcerias com Ongs que realizem trabalhos nas comunidades carentes, incentivando-as financeiramente à criarem eventos explicativos sobre a importância do uso de preservativos para evitar a gravidez precoce, a fim de colocar em evidência os impactos econômicos e para a saúde que uma gestação na adolescência pode gerar. Ademais, o Estado deve divulgar a importância do combate à essa questão em ambientes digitais para alcançar um maior número de jovens. Somente assim, a realidade se distanciará da vivenciada por Remedios no livro do Gabriel Garcia.