Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 30/10/2019
No filme americano “Mais ou menos grávida”, lançado em 1988, os protagonistas Darcy e Stan estão concluindo o colégio quando Darcy engravida. Prestes a entrar na faculdade, o casal precisa lidar com a nova etapa sem o apoio dos pais e enfrentando diversas dificuldades. Fora da ficção, a problemática do filme é pertinente no cenário brasileiro, com meninas cada vez mais jovens engravidando. Nesse sentido, é necessário colocar em pauta o papel da família e da escola na vida sexual dos adolescentes, para assim, diminuir os riscos de uma gestação indesejada.
A princípio, é válido analisar a postura da família quanto ao tema sexualidade, pois, embora estejamos no limiar do século XXI, tal assunto é tido como um tabu. O filósofo John Locke, em sua teoria da Tábula Rasa, afirma que quando o ser humano nasce, sua mente é como uma tela em branco, a qual tem suas linhas preenchidas ao longo da vida. Logo, a adolescência se caracteriza em uma fase de suma importância para o desenvolvimento do caráter e de seus princípios, tornando nítida a relevância de discussões em família a cerca da vida sexual, orientando os menores e dando-lhes uma maior segurança sobre o assunto. Do contrário, os jovens sentem-se inseguros para conversar com seus familiares, e sem a devida informação, escondem a gravidez, colocando em risco a sua própria vida sem o acompanhamento médico correto.
Sob outro prisma, destaca-se também o papel fundamental das escolas fornecendo conhecimento sobre o tema, viabilizando a importância da educação sexual. Dados da OMS dizem que no Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas entre 15 e 19 anos, configurando-se como alarme para a população brasileira, pois, além disso, a prevalência desse fato se da nas famílias menos favorecidas, devido à falta de dinheiro para a compra de contraceptivos. E, desse modo, na maioria dos casos as adolescentes abandonam a escola para cuidar dos seus filhos ou por vergonha. Parafraseando o autor Rubem Alves, “há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”, e para que sejam asas, devem trabalhar na inclusão dessas jovens grávidas precocemente.
Frente a tais impasses, é imperativa uma ação de combate à gravidez precoce no Brasil. Portanto, o Ministério da Educação deve introduzir em sua grade curricular aulas de educação sexual, orientadas por profissionais da área de Biologia, por meio de aulas lúdicas e com linguagem clara, com o fito de transmitir aos jovens todas as informações necessárias. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com os Governos Municipais, deve também criar palestras e distribuir panfletos nas residências orientando os pais da responsabilidade de se conversar sobre sexualidade com seus filhos, quebrando o tabu que existe sobre o sexo, promovendo uma juventude informada.