Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 28/10/2019
O documentário “Meninas”, filmado na periferia da cidade do Rio de Janeiro, retrata o período da gravidez de quatro adolescentes com idades entre 13 e 16 anos. Essas garotas representam a situação de parcela significativa da população feminina jovem, pois a taxa de natalidade das adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos é de 71 em cada mil, segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas. Isso ocorre devido à ineficiência das políticas de prevenção à gravidez na adolescência e tem como consequências para as jovens conflitos psicológicos e familiares, bem como problemas sociais dos mais diversos.
A princípio, é evidente a ineficácia dos projetos que buscam evitar a gravidez precoce, uma vez que de acordo com o Ministério da Saúde, em 2015 no Brasil, foram cerca de 574 mil crianças nascidas vivas de mães entre 10 e 19 anos. Somado a esse fator, há a negligência escolar no que diz respeito à promoção de eventos disciplinares que discutam assuntos relacionados à sexualidade. Em contraste com o acontece nos Estados Unidos, por exemplo, onde a educação sexual faz parte da grade curricular de grande parte das instituições de ensino.
Nesse contexto, eis os resultados da gravidez entre jovens: muitas sofrem abandono afetivo da família, do parceiro e dos amigos, além disso, tais garotas são obrigadas a interromper os estudos e, consequentemente, encontram grandes adversidades para entrar no mercado de trabalho. Outro problema que elas têm que enfrentar é a violência obstetrícia, ou seja, os maus-tratos ocorridos nos hospitais públicos, causados pela precariedade dos centros de saúde brasileiros, tendo em vista que a maioria dessas “meninas-mulheres” são de família de baixa renda e fazem uso dos serviços governamentais.
Portanto, na tentativa de minimizar esse impasse social, é extremamente importante que o Ministério da Saúde - responsável por promover o bem-estar físico e psíquico dos indivíduos -, aliado ao Ministério da Educação, desenvolva campanhas nas escolas, especialmente naquelas localizadas em zonas periféricas ou rurais, já que o problema é mais concentrado nessas áreas. Tais mobilizações buscarão esclarecer dúvidas relacionadas ao uso dos métodos contraceptivos por meio de palestras e de consultas individuais com médicos e enfermeiros. É essencial também que, em caso de gravidez precoce, o SUS oferte o pré-natal adequado, com acompanhamento psicológico e obstetra e conforto nas instalações hospitalares (proporcionado pela reforma das estruturas desses centros feitas pelas Secretarias Municipais de Saúde). Assim, os números de gravidez na adolescência serão mitigados e as meninas brasileiras terão um futuro promissor, diferente daquele apresentado no documentário.