Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 18/07/2022
No conto “Pai contra mãe”, do escritor brasileiro Machado de Assis, há a menção da “roda dos enjeitados”, um mecanismo utilizado desde a Idade Média para doação de recém-nascidos. Fora da literatura, observa-se que o abandono de incapaz é frequente no Brasil, o que coloca em risco a integridade física de idosos, crianças e pessoas com deficiência. Desse modo, não há dúvidas de que esse crime impede a consolidação de uma sociedade mais justa e harmônica. Assim, cabe analisar esse cenário sob uma perspectiva crítica.
Em primeiro plano, é válido citar as causas do elevado índice do abandono de incapaz no país. Nesse sentido, necessidades financeiras, aliadas à inacessibilidade da educação pública em muitas regiões, obrigam os responsáveis a deixarem essas pessoas sozinhas enquanto trabalham. Entretanto, mesmo que isso pareça sem solução, buscar ajuda confiável da vizinhança pode evitar essa prática criminosa. Ademais, a negligência de muitos pais para com tais cuidados impulsiona esse impasse, pois muitos não separam o tempo necessário para tal guarda. Com isso, infere-se que a sociedade falha ao ignorar as necessidades alheias.
Outrossim, é imprescindível ressaltar que o sentimento de abandono acarreta transtornos mentais, como a depressão. Sob essa óptica, o livro “Epigenética” cita um estudo neurológico feito em ratos, os quais foram separados de suas mães ao nascerem. A partir disso, os cientistas perceberam que isso deixou os indivíduos mais propensos à diversas doenças. Além disso, permitir que pessoas dependentes fiquem à mercê de seus próprios cuidados coloca em risco a saúde física dessas, dados os inúmeros casos de acidentes domésticos que vitimizam crianças, como queimaduras e choques elétricos.
Diante dessa análise, conclui-se que esse panorama deve ser alterado.Portanto, é dever das mídias, como as emissoras de televisão, divulgarem os mecanismos de denúncia à violação dos direitos humanos, como o “disque 100”, por meio de sua programação televisiva, a fim de informar a população. Ainda, o poder público dos municípios deve investir mais nos locais de acolhimento às vítimas desse crime, a partir da construção de abrigos e asilos, para que esses possam ter uma vida digna. Destarte, espera-se que o Brasil abandone essa distópica realidade.