Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/01/2021

Conhecida como “Cidadã” - por ter sido concebida no processo de redemocratização - a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entando, apesar da garantia constitucional, nota-se que a situação de abandono vivida por parte dos idosos brasileiros configura-se como uma falha no cumprimento de diversas leis. Sendo assim, percebe-se que o abandono de idosos possui raízes amargas no país, devido não só à falta de assistência por parte do Estado, mas também ao baixo índice de pessoas que economizam visando uma melhor qualidade de vida na terceira idade.

Primeiramente, deve-se ressaltar a carência de medidas governamentais para combater o abandono de idosos. Nesse sentido, devido à piora da qualidade de saúde e diminuição da disposição, os idosos buscam por apoio do governo, porém frequentemente não são amparados por consequência da lotação dos asilos públicos. Diante dessa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, situação tal configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não desempenha sua função de garantir que os cidadãos usufruam de direitos indispensáveis, como a moradia e a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de educação financeira como impulsionador do problema no brasil. Segundo pesquisa realizada pelo Banco Mundial, cerca de 90% dos brasileiros não economizam para o futuro. Diante de tal exposto, a diminuição da renda por consequência da aposentadoria e os problemas de saúde advindos do envelhecimento agravam ainda mais a situação financeira. Assim, parte dos idosos fica à mercê de seus parentes, porém novamente, os seus familiares não possuem dinheiro para sustentar mais uma pessoa, e de maneira covarde a abandonam. Logo, é inadimissível que tal cenário continue a perdurar.

Constata-se, portanto, a necessidade de combater o abandono da população anciã. Para isso, é fundamental que o governo federal, por meio de investimentos públicos, aumente a quantidade de azilos e instituições de lazar aos idosos, desse modo, os idosos poderão conviver e interagir com outros idosos, a fim de garantir uma vida mais segura e humanizada, além de proporcionar momentos de lazer e convívio social, o que é fundamental para uma vida saudável. Logo, será instituida uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.