Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/01/2021

“Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo”. No trecho citado, o grupo Legião Urbana canta sobre a fugacidade do tempo e a juventude, momento em que a vida parece eterna. Nesse sentido, assim como na música, a juventude brasileira tem pensado pouco em sua velhice, quando poderão sofrer abandono, grande questão contemporânea. Assim, nota-se dois principais problemas envoltos ao tema: a desvalorização do idoso e a falta de planejamento financeiro dos adultos.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a desvalorização das pessoas mais velhas relaciona-se diretamente ao abandono dessa população, já que o sistema econômico vigente supervaloriza a produtividade, o que faz com que a velhice seja repudiada que, muitas vezes, leva ao abandono social. Em paralelo, na obra Metamorfose de Franz Kafka, o protagonista se torna incapaz de trabalhar e, por isso, é ignorado pela família até sua morte. Tal ficção demonstra a capacidade humana de rejeitar aqueles que são inúteis ao sistema.

Ademais, o baixo planejamento financeiro causa, com frequência, o abandono familiar, porque o idoso necessita de cuidados especiais, como enfermeiro e remédios, que são dificultados quando o indivíduo não possui dinheiro para sustentar suas demandas. Como ilustração, Clarice Lispector, em seu conto O Grande Passeio, narra a história de uma idosa pobre abandonada pela família que já não via motivos para sustentá-la. Casos como o de Clarice são comuns na atualidade.

Sintetiza-se, pois, que o abandono de idosos é um grande problema que deve ser combatido. Para isso, faculdades de economia e serviços sociais devem, em parceria com as prefeituras, fazer campanhas contra o abandono familiar, por meio de palestras, com linguagem simples, de formas de guardar dinheiro para o futuro e sobre a importãncia do idoso. Dessa forma, rechaçando a ideia de inutilidade da população mais velha.