Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/01/2021

A célebre animação ‘‘UP: Altas Aventuras’’ apresenta a jornada de um idoso viúvo e um jovem escoteiro. Assim, a divertida narrativa contrói um laço afetivo entre as personagens, emocionando o telespectador. Em contrapartida, na sociedade contemporânea, o abandono de idosos é uma problemática em evidência, o que está intrisecamente ligado ao individualismo da população e ao despreparo do governo com relação ao aumento na expectativa de vida.

A príncipio, é importante destacar o individualismo da sociedade como um dos fatores que colaboram com a problemática do abandono de idosos. Desse modo, uma vez que a mídia - em sintonia com o sistema capitalista - expõe a necessidade do ‘’ter’’ em detrimento do ‘‘ser’’, a sociedade como um todo se torna mais superficial - conceito nomeado pelo sociólogo Zygmunt Bauman de ‘‘sociedade líquida’’. Como resultado, a triste realidade do abandono de idosos se evidencia quando o indivídio não mais tem influência material - ‘’ter’’ -, embora sua pessoalidade - ‘‘ser’’ -, pouco valorizada, ainda esteja presente, o que demonstra a falta de altruísmo que permeia essas situações.

Além disso, vale expor o despreparo do Governo para com o aumento da expectativa de vida. Como consequência disso, idosos mais economicamente fragilizados ficam desamparados e, sem o auxílio estatal adequado, famílias os abandonam, muitas vezes, por não ter condição financeira para os manter. Sob esse viés, o filósofo Aristóteles defendia ser dever do Estado a preservação do afeto social. Assim, torna-se notório o descaso e o descumprimento do Governo para com o seu dever, fazendo-se necessária a imediata providência para a solução desse impasse.

Portanto, na realidade, aventuras como em ‘‘UP’’ deixam de acontecer pela falta de sensibilidade e atenção dos órgaos influenciadores. Sendo assim, a mídia deve de sensibilizar para tentar não mais colabolar com o individualismo na sociedade - evitando a romantização de personagens egoístas em novelas, por exemplo. Ademais, para o cumprimento de seu dever, o Estado deve promover o beneficiamento econômico dos idosos - com ênfase nos menos privilegiados -, devendo isso ser feito por meio de uma justa reforma na previdência, visando uma sociedade menos superficial e com a finalidade de aumentar não só a expectativa, como também a qualidade de vida.