Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/01/2021

A Constituição Federal de 1988 garante o direito à vida de qualidade e sistema previdenciário à todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, nas últimas décadas, devido ao aumento da expectativa de vida, pode ser observado um desamparo aos idosos no país, o que reflete a incapacidade, tanto da família quanto do governo, em lidar com seus anciãos. Dessa forma, urgem-se medidas para garantir os direitos e a dignidade à parcela da população que um dia foi a principal fonte motora da nação.

Em primeira análise, cabe citar que a escassez de tempo das famílias brasileiras, devido aos compromissos gerados com afazeres, como trabalho ou escola, acaba por obrigar os parentes a deixar seus anciãos sob o cuidado de terceiros, o que, muitas vezes, não atende as necessidades básicas do idoso, o que gera o desamparo, já que ele não pode mudar sua realidade por falta de recursos financeiros, o que reflete os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em que o Brasil é um dos países com menor poupança para a velhice. Ademais, a falta de empatia e moralidade também se faz amplamente presente, o que se pode observar pelo abandono de idosos em albergues, o que se comprova com dados do Ministério do Desenvolvimento Social, em que a maior demanda por esses estabelecimentos é feita por pessoas com mais de 60 anos.

Além disso, como consequência dessa realidade, os idosos, em meio ao desamparo, podem contrair problemas, como infecções derivadas da falta de cuidados higiênicos, além de impactos na saúde mental, já que se sentem abandonados por sua família. Ademais, cabe ressaltar que, segundo dados do IBGE, os idosos fazem parte da população que mais cresce no Brasil, o que potencializa os problemas de abandono, principalmente nas famílias de menor poder econômico, as quais não podem arcar com os custos necessários para o amparo dos anciãos.

Portanto, conclui-se que, com o aumento da expectativa de vida, o número de idosos aumentou consideravelmente, de modo que os casos de desamparo social ficaram mais expressivos, o que revela a incapacidade do estado e das famílias em lidar com os anciãos, seja por problemas financeiros ou pela falta de tempo durante a rotina. Diante disso, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova maior investimento em asilos, a fim de assegurar serviços de qualidade no cuidado dos idosos. Ademais, cabe as famílias buscar dar maior atenção aos longevos, por meio da melhor gestão do tempo e do investimento em cuidados para essas pessoas, para que assim, possa se tornar realidade os direitos assegurados pela constituição.