Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/01/2021

A expectativa de vida humana mundial aumentou nos últimos anos e, com o tempo, a população idosa será maioria no planeta, cabendo aos países proporcionar um melhor cuidado para com a terceira idade e sua inserção mais ativa na sociedade, afirma a jornalista Mírian Leitão na obra “História do Futuro”. Essa recomendação aplica-se também ao Brasil, cuja a faixa-etária média de seus cidadãos só cresce a cada ano. Logo, para alcançar essa meta, é necessário resolver o problema da crescente alta de abandonos de pessoas acima de sessenta anos, que é consequência de uma sociedade contemporânea que possui laços afetivos mais frágeis, trazendo prejuízos para a saúde da população idosa.

Em primeiro plano, têm-se que, atualmente, as pessoas possuem menor apego emocional aos seus pares, pois estão mais concentradas em si e em seus afazeres, cumprindo suas rotinas cheias de trabalho, estudos e buscas pessoais, não dando prioridade para seus parentes mais velhos. Quanto a essa nova dinâmica social, o filósofo polonês Zygmund Buaman a nomeia como sociedade líquida, na qual as relações amorosas, de amizade e de parentesco tornaram-se fracas e menos importantes, pois as pessoas estão em um mundo que valoriza mais o consumo de produtos e o egocentrismo do que a troca afetiva. Com isso, há uma tendência maior da ocorrência de abandono de idosos por seus familiares.

Consequentemente, a população idosa fica mais inclinada a ter uma piora de sua saúde e qualidade de vida em razão da ação de ter sido deixada de lado por seu entes queridos e ver-se isolada e marginalizada, pois, como afirma a Organização Mundia de Saúde, o bem-estar só é pleno quando são garantidas completamente uma bosa saúde física, mental e social. Dessa forma, a proteção aos idosos e a sua garantia de saúde, ambos direitos previstos na Constituição Federal brasileira de 1988, não são atendidas, uma vez que o isolamento de seu núcleo familiar pode comprometer sua saúde mental e social.

Nesse sentido, diante os fatos expostos, é necessária uma intervenção estatal. Por isso, com a finalidade de frear o abandono de idosos - ao mesmo tempo em que seja garantida sua boa qualidade de vida e o fortalecimento do vínculo afetivo com seus parentes - cabe ao Congresso Nacional - composto pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados, implementar a visita mensal de profissionais da saúde e psicólogos ao lar de cada idoso para checar sua saúde e conversar com sua família sobre a importância do cuidado e proteção com pessoas da terceira idade. Essa medida será realizada por meio da elaboração, submissão e aprovação de um Projeto de Lei - devendo o Ministério da Saúde junto ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos serem responsáveis pela gestão da ação. Logo, haverá menos ocorrência de abandono de idoso, um aumento no seu bem-estar e de sua valorização, fazendo com que o Brasil siga a tendência mundial explanada por Mírian Leitão.