A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 15/05/2022
No filme ‘’O Renascimento do Parto 2”, dirigido por Eduardo Chauvet, introduz-se a temática da brutalidade por parte dos médicos no momento do parto, abordando os posteriores transtornos psicológicos que as vítimas enfrentam. Embora seja uma obra ficcional, a produção cinemática, infelizmente, apresenta verossimilhança notável com a realidade, uma vez que apresenta um debate recorrente no Brasil: a violência obstétrica. Diante desse cenário, vale ressaltar fatores que contribuem para a adversidade, dando destaque para a falta de conhecimento das mulheres e ao machismo.
Em primeira instância, cabe destacar a falta de conhecimento a respeito da violência por parte da mulher. Tendo em mente, que a prática se propaga em um abiente tido como seguro e por meio de gestos sutis, como a negação a um acompanhante e o não acesso a medicamentos para dor, a violência acaba passando despercebida em um momento tão fragilizado. Esse foi o caso da influenciadora digital, Shantal, que foi vítima de comentários desrespeitosos e de procedimentos não autorizados na hora do parto, após sua denúncia, vieram a tona diversas outras declarações de mães que passaram por situações semelhantes, porém não compreendiam que se tratava de um crime assegurado na Constituição.
Ademais, é válido explicitar o papel do machismo na intensificação do abuso aos direitos obstétricos femininos. Considerando, que vivemos em uma sociedade, em que o gênero influencia na forma de tratamento entre as pessoas, a mulher acaba se tornando submissa ao patriarcalismo. Nesse viés, segundo a pesquisadora Janaína Marques ocorre a objetificação da gestante, que ao perder o papel de sujeito, é reduzida a um corpo passível de intervenção médica, elevando o índice de violência.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática. Para tanto, urge que, a fim de repercutir o assunto, o governo, por meio do Ministério da saúde, acrescente palestras alertando sobre a violência obstétrica na agenda do pré-natal, além de fiscalizar os hospitais e maternidades, garantindo o respeito a fisiologia da gestação e evitando ações discriminatórias. Assim, o futuro das brasileiras será diferente do apresentado em " O Renascimetnto do Parto 2".