A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 27/04/2022
O livro “Medicina dos horrores”, narra a história da medicina cirúrgica do século XIX, mostrando a agressão, brutalidade e carnificina que o paciente era sujeito. Analogamente, a violência obstetrícia no Brasil torna-se semelhante com os fatos do passado, devido a negligência médica e ao descaso estatal, a desumanidade no atendimento de gestantes e puérperas é evidente. Sob esse viés, se faz mister a resolução dessa problemática.
Mormente, embora a Constituição de 1988 preveja o direito à saúde e ao atendimento igualitário, tal fato encontra empecilhos para ter seu êxito garantido. Nesse sentido, a pressa para o término do atendimento, seja para maiores horas de descanso, seja por antiética, faz com que o médico decida por atitudes erradas de forma irresponsável -como o uso da ocitocina para aumentar a dor e assim acelerar o parto-. Deste modo, a paciente é objetificada e tem seus direitos ignorados, refletindo, muitas vezes, nocivamente na saúde dela ou da criança.
Outrossim, apesar do problema supracitado ser um propulsor, o descaso estatal tem equivalente malefício. Sob essa ótica, de acordo com uma pesquisa realizada pela OMS, em 2018, cerca de 55,7% dos nascimentos foram cirúrgicos, entretanto, a recomendação é que não passe de 15%. Tal fato, mostra o desinteresse governamental nesta questão, visto que, partos cirúrgicos possuem uma recuperação lenta e complicada, além de colocar em risco a vida de ambos os pacientes.
Em virtude dos fatos mencionados, faz-se urgente a resolução desse problema. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover palestras e campanhas midiáticas explicativas sobre a violência obstetrícia e os direitos das gestantes, sendo aplicadas nas unidades básicas de saúde, por meio de profissionais especializados na área e de psicólogos. Isto posto, o suporte as gestantes e puérperas será garantido através de informação que visam orientar sobre o assunto. Por fim, fazendo com que a brutalidade do século XIX permaneça no passado.