A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 13/04/2022
“O importante não é viver, mas viver bem”. A ideia de Platão, renomado filósofo grego, todavia, perdura longínqua quando se observa o hodierno quadro da nação verde - amarela, uma vez que a violência obstétrica representa um revés de consideráveis proporções. Logo, urge analisar as principais causas dessaadversidade: a negligência governamental e a cultura machista enraizada no Brasil.
Primeiramente, observa-se, diante dessa conjuntura, que a omissão estatal atua como fomentadora do obstáculo. Sob essa lógica, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia ser dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda a coletividade. Tal concepção, entretanto, não se aplica à perspectiva atual, visto que as autoridades governamentais não se preocupam em criar ação que protejam a dignidade da mulher gestante; fato observado na carência de professores qualificados nos hospitais universitários, proporcionando à sociedade profissionais da saúde incapazes de suprir demandas sociais. Essa negligência, portanto, coloca em xeque a integridade física e mental da grávida.
Outrossim, é preciso analisar como o machismo estrutural, originado pela concepção patriarcal, agrava o impasse. Na Roma Antiga, por exemplo, o homem era visto como líder e autoridade máxima sobre os membros da família, tendo direito até mesmo sobre a vida e morte de sua esposa e filhos. Essa sociedade patriarcal representada na história de Roma repercute, ainda hoje, no processo de gestação, exigindo que a mulher suporte a dor em um contexto natural e primitivo, além de que ela seja provedora de uma nova vida, negando suas escolhas pessoais e refletindo, assim, na dessumanização do parto.
Faz-se necessário, pois, superar a gênese do imbróglio para que a vida da gestante seja respeitada. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, órgão responsável por definir as diretrizes políticas educacionais, por meio da parceria com hospitais universitários, elaborar projetos extensionistas de cunho pedagógico no âmbito laboral sobre o significativo respeito e dignidade à mulher no momento do parto, com o fito de promover a cultura da integridade corporal. Dessa forma, a perspectiva de vivência retratada por Platão poderá ser efetivada na vida do povo brasileiro.