A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 25/10/2021
O livro “Fala Sério, Mãe”, da escritora Thalita Rebouças, retrata o relacionamento de uma mãe com sua filha. Na obra, é evidente o amor e a felicidade presentes entre as duas desde a gestação. Entretanto, no Brasil contemporâneo, essa felicidade é fragilizada pela violência obstétrica, que ocorre quando a mãe é agredida fisica ou verbalmente durante o parto. Nesse cenário, é a priorização dos interesses econômicos e a desinformação que fomentam esse crime.
Convém ressaltar, a princípio, que, entre os propulsores da agressão obstétrica, está a ganância humana. De acordo com o filósofo Karl Marx, no sistema capitalista, privilegia-se o lucro em detrimento de valores. Sob essa ótica, é de interesse dos hospitais, principalmente, privados ampliar o número de atendimentos ao dia, a fim de aumentar a lucratividade. Nesse contexto, os médicos são incentivados a acelerarem o parto, isto é, com substâncias, como a ocitocina, ou priorizando a cesariana. Assim, os interesses econômicos vão de encontro com o bem estar do paciente, visto que eles estimulam o desrespeito às necessidades do indivíduo, à exemplo do uso de ocitocina, prática que deveria ser exceção, em 36% dos partos, segundo a revista Época.
Ademais, vale salientar que a falta de informação sobre o tema estimula os casos de violência obstétrica. Isso porque, consonante ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, o homem na menoridade é influenciado pelo meio e, para atingir a maioridade, é necessário que — por intermédio da educação — ele aprenda a questionar. Nesse viés, quando o indivíduo desconhece seus direitos no parto, ele é facilmente convencido a aceitar procedimentos invasivos e desnecessários, como a cesariana e o uso de ocitocina. Dessa forma, para prevenir os casos de agressão obstétrica, é crucial informar as gestantes sobre seus direitos, a fim de torná-la capaz de questionar as decisões médicas.
Dessarte, para garantir a segurança das brasileiras na hora do parto, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de uma proposta de lei, o projeto “Da Gestação à Vida”. Em síntese, o governo criar um documento, a ser assinado pelo obstetra, justificando os procedimentos realizados no parto, a fim de mitigar a arbritariedade dos hospitais particulares. Além disso, o governo deve ensinar, no curso de gestantes, os direitos assegurados ao indivíduo que irá parir. Feito isso, a experiência amorosa de dar à luz, retratada na obra de Thalita Rebouças, estará cada vez mais presente na sociedade brasileira.