A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 29/10/2021
No período da escravidão no Brasil, as mulheres negras tinham os seus filhos nas senzalas, em péssimas condições sanitárias e sem assistência adequada. Nesse sentido, é possível afirmar que violência obstetrícia no Brasil tem raízes no período da escravidão e, ainda hoje, fere os direitos da mulher e do bebê. Esse cenário é causado não só pela negligência dos profissionais de saúde como também pelas condições deploráveis dos hospitais que prestam um mau atendimento.
Primeiramente, a violência obstetrícia consiste em agressões físicas e verbais contra gestantes e parturientes, seja antes, durante ou depois do parto. De acordo com a Fundação Perseu Abrams, 1 em cada 4 mulheres sofreu algum tipo de violência na hora do parto ou durante a gestação. Ademais, o filme “O Sentido da Vida” retrata bem essa realidade, pois em uma cena a equipe médica se empenha em preparar a sala para a operação, mas só depois percebem que se esqueceram da paciente e que ela não está na sala. É evidente o descaso com as parturientes, logo, torna-se necessário combater essas condutas, garantindo a saúde e o bem-estar da mulher e do bebê.
Outrossim, a Constituição Brasileira de 1988 assegura que o acesso à saúde é um direito básico de todo brasileiro. No entanto, a realidade pode ser observada na série brasileira “Sob Pressão” que relata a falta de médicos e de recursos hospitalares, além de superlotação e uma grande espera para o atendimento. Por isso, é preciso investir em melhorias nos hospitais, no atendimento mais humanizado no parto para tratar com dignidade e respeito as vidas presentes, porque, segundo o médico obstetra francês Michel Odent, para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer.
Diante do exposto, cabe ao Ministério da Sáude, em parceria com as mídias sociais, deve promover palestras, ofertados às equipes dos hospitais, com a presença de psicológos e jornalistas, a fim de garantir a promoção de saúde e uma atendimento humanizado a todas as mulheres. Além de promover melhorias na infraestrutura dos hospitais, com a reposição dos materiais e equipamentos, e reformas periódicas. A partir disso, as raízes da escravidão serão mitigadas na sociedade brasileira.