A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 25/10/2021
Ilítia: a protetora da gestante
O documentário ‘’O renascimento do parto’’ denuncia o sequestro do protagonismo da mulher durante as decisões do parto. Nesse sentido, na produção cinematográfica, a desumanização da medicina é colocada em pauto, visto que as gestantes são silenciadas e impostas a procedimentos cirúrgicos desnecessários. Isso evidencia a violência obstétrica causada pela apropriação do corpo feminino, mas também pela mercantilização da saúde. Desse modo, é preciso rever, urgentemente, o tratamento concedido às pacientes a fim de garantir a integridade física e psicológica da mulher.
Diante desse cenário, vale ressaltar que profissionais da saúde apropriam do corpo feminino. Quanto a tal fato, Pierre Bourdieu, por meio do conceito ‘’violência simbólica’’, afirma que a violência não se restringe à coação física, mas que se estende ao campo psicológico. Sob a perspectiva do sociólogo francês, percebe-se que a rede clínica inferioriza a capacidade feminina de decidir sobre o próprio corpo. Isso fica evidente na filmagem ‘’O renascimento do parto’’ ao negar à gestante o direito ao parto natural, sob a justificativa de não dilatação ou, até mesmo, o falso diagnóstico da criança estar em risco. Assim, fica claro a agressão psicológica que acomete tal público, tornando-o vulnerável ao conceito de Pierre Bourdieu.
Além disso, a desumanização do parto é agravada pelo sistema capitalista. No tocante a esse aspecto, segundo Paulo Henrique Martins, a perda do ideal humano na medicina deu-se a partir da aliança entre cientistas e homens de negócio. Nesse viés, a óptica do doutor em sociologia descreve a atual indústria do parto que prioriza a rapidez do nascimento para conseguir atender mais pessoas e ganhar mais dinheiro. Tal quadro caracteriza-se pela realização de cesárias sem indicação e aplicação de ocitocina- que muitas das vezes ocorre sem consentimento da mãe- para acelerar o nascimento. Em síntese, percebe-se que a gestante atua como uma máquina configurada a alta velocidade.
Fica claro, portanto, que a violência obstétrica transforma um momento que deveria ser feliz em traumático para a mulher e seu bebe. Nesse sentido, para que as gestantes recebam um tratamento solidário, é preciso que o Ministério da Saúde promova cursos de formação humanizada. Tal medida deve ser realizada por meio de palestras- ofertadas à equipe hospitalar- que expliquem a manifestação da violência obstétrica e a importância de um sistema ético e empático a paciente. Ademais, é imprescindível a promoção de uma lei federal para garantir a segurança da mulher e seu protagonismo durante o nascimento dos bebes. Somente com medidas eficazes, será possível que os clínicos sejam altruístas assim como a protetora do parto, Ilítia.