A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 11/10/2021

De acordo com o filósofo britânico John Stuart Milf, o ser humano tem poder absoluto sobre seu corpo e mente. Entretanto, essa soberania não é respeitada quando levada em conta a quantidade e frequência da violência obstétrica no Brasil. Essa violência está relacionada à quantidade de procedimentos desnecessários realizados na hora do parto e também pode ser ligada ao racismo, por isso há uma necessidade de combatê-la.

É relevante abordar, primeiramente, que, de acordo com pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 7 a cada 10 mulheres brasileiras querem um parto normal no início da gestação, entretanto, não são apoiadas sobre sua decisão. Dessa forma, são realizadas cesáreas desnecessárias, juntamente com outros procedimentos como episiotomia e o uso descontrolado de ocitocina. Essas ações são consideradas atos de violência obstétrica, que não respeitam a vontade e a integridade física e emocional da parturiente.

Deve-se abordar ainda que, conforme dados disponibilizados pela Revista de Saúde Pública da USP, a questão racial e os atos de agressão na área da saúde estão diretamente ligados. A pesquisa indica que cerca de 31,8% das mulheres negras não são aceitas na primeira maternidade que chegam, enquanto o número de mulheres brancas atinge 18,8%. Portanto, é necessário também entender o cenário em que a violência obstétrica mais acontece, entre mulheres negras.

Para minimizar esse fenômeno, é preciso que haja uma melhora na formação e conduta médica, por meio da reformulação de aulas e materiais disponibilizados sobre saúde obstetrícia. O Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação deve realizar essa ação para que o parto seja responsável e respeitoso com a integridade física e psicológica da puérpera. Destarte, esse problema entrará em remissão no Brasil.