A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 05/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas  More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e de problemas, ou seja, os direitos naturais são garantidos, na prática. Fora da ficção, vê-se que a realidade brasileira diverge substancialmente do exposto no livro, haja vista a existência de tabus sociais como a violência obstétrica, em que a liberdade individual das mulheres são violadas. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência midiatica no que refere-se ao incentivo às gestantes em lutarem por seus direitos, quanto da reduzida presença de médicos humanizados.

Convém ressaltar, diante dessa realidade, a falta de debates e ações de conscientização acerca da violência às gestantes, ações que deveriam ocorrer com o aparato mídiatico. De acordo com o sociológo Pierre Boerdieu, os veículos mídiaticos são instrumentos da democracia, levando em consideração que promovem o acesso às informações de caráter informativo, formando uma sociedade políticamente engajada no que tange à consciência dos direitos que possuem. Na esteira dessa ideia, nota-se que a ausência mídiatica em assuntos importantes dificulta a criação de um conhecimento sólido dos indivíduos acerca do tema, o que contribui para a continuidade dos problemas que os abrangem, como no caso da violência obstétrica, em que mulheres possuem seus direitos individuais comprometidos, sobretudo, na escolha do tipo de parto. Dessa forma, caso houvesse o conhecimento público da recorrência de casos abusivos durante o trabalho de parto, as gestantes reinvidicariam seus direitos com maior incidência, garantido a preservação da individualidade feminina.

Além disso, a violência obstétrica reflete um problema contemporâneo na formação de profissionais da medicina, em que tornou-se raro a capacitação de profissionais humanizados. Segundo o sociológo Roman Krzaric, a empatia refere-se a capacidade de colocar-se no lugar do outro, e enxergar o mundo através desse olhar, postura raramente adotada nos hospitais na gestação feminina. Nesse sentido, a ausência de posturas como a dissertada pelo pensador, contribuem para a falta de cuidado e atenção necessária para as gestantes, haja vista que sem empatia, não há compaixão para com as gestantes.

Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas visando mitigar a violência às mulheres brasileiras durante o parto. A priori, compete a mídia-cuja função é democratizar o acesso às informações e assuntos agregadores socialmente-, tornar público o conhecimento da recorrência dos episódios de violência contra as gestantes e incentivando-as na reinvindicação de seus direitos, por meio da divulgação de propagandas em programas televisos, com o intuito de engajar a sociedade brasileira na causa feminina e,consequentemente pressionar os hospitais para que os aparatos legislativos se cumpram, na prática. Com essas ações, espera-se garantir os direitos individuais das gestantes.