A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 18/09/2021
No Brasil, mais de 20% das mulheres afirmaram ter sofrido algum tipo de agrassão na gestação ou no parto, consoante o site Epoca. No entanto, tem-se observado que - apesar dessa alarmante realidade - inúmeras gestantes ainda são vitimizadas pela grave prática da violência obstétrica em território nacional. Isso ocorre, sobretudo, devido à carência de debate acerca de tais agressões e à falta de empatia. Desse modo, é evidente a premência de sanar a problemática envolvida.
Diante desse cenário, é fulcral reconhecer que o silenciamento é uma das causas da existência da violência praticada às mulheres em gestação. A respeito disso, é valido rememorar a ideia ligada a pensadora Djamila Ribeiro, na qual ela explica que uma situação precisa ser tirada da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. A par desse raciocínio, é possível constatar que - por desconhecerem as ações que caracterizam a violência obstétrica, como, por exemplo, a não aplicação da anestesia pelo médido ou enfermeira - as gestantes são incapazes de agirem sobre o problema, seja através do exercício de suas cidadanias ou do debate com outras mulheres sobre o assunto. Assim, é imperioso tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende Djamila.
Ademais, sabe-se que a lacuna de empatia é outro importante fator que perpetua a violência obstétrica no Brasil. Nesse viés, é mister ressaltar a obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, na qual o escritor faz uma crítica ao comportamento egoísta do homem, que o cega. Nesse sentido, é transparente que, em razão de estarem presos em suas próprias bolhas, muitos profissionais de saúde se tornam incapazes de se sensibilizarem com o medo e o sofrimento que as gravidas vivenciam, o que gera atitudes apáticas e crueis com estas. Assim, reverter o individualismo é essencial para dissolver esse problema.
Urge, portanto, que providências sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Para isso, o Instagram deve criar uma campanha que trate da violência obstétrica no Brasil, por meio de IGTVs - vídeos verticais de longa duração - com debates e orientações precisas, a fim de reverter o silenciamento que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada com uma “hashtag” para atingir mais pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de empatia presente na problemática. Dessa forma, o Brasil poderá visualizar dados melhores acerca da questão.