A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 25/08/2021
O documentário “O renascimento do parto” apresenta os dilemas dos procedimentos obstétricos e a realidade das mulheres frente aos desafios de dar a luz. Na produção, é notório como, historicamente, o parto deixou de ser um rito naturalizado e se tornado um mercado, muitas vezes carregado de hostilidade. Em paralelo com a obra, a violência obstétrica é uma questão latente no Brasil, problemática que reflete uma violência permanente de gênero inserida na sociedade, resultado do contexto sociocultural de subjugação feminina e da falta de debate sobre o tema.
Em primeiro plano, a objetificação e sujeição direcionadas às mulheres são aspecto relevante desse cenário. Um dos procedimentos que exemplificam essa situação é o chamado “ponto do marido”, que corresponde a uma ou mais suturas desnecessárias para reparar uma eventual incisão que facilita a saída do bebê. A nomenclatura se deve ao fato da técnica estar associada ao prazer sexual masculino. Nesse viés, nota-se que uma mulher, mesmo na hora do parto, é reduzido e objetificada a alguém que deve apenas satisfazer seu companheiro, sem levar em conta as dores e desconfortos que ela própria enfrentará no processo.E o fato de muitas vezes essas mulheres nem consultadas pelos médicos demonstração como a violência de gênero é cultural e está enraizada socialmente, refletindo em um âmbito que deveria trazer segurança como cidadãs, mas que também reproduz a subjugação, suscitando a violência obstétrica no Brasil .
Outrossim, uma carência de sentimento sobre a violência obstétrica é propulsora da problemática. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Seguindo esse pensamento, é evidente que a violência contra a mulher surge devido às construções de gênero popularmente e, nesse caso, ser mulher sempre foi uma situação de preterimento e, por consequência, os direitos femininos são até hoje negligenciados.
Desse modo, a falta de debate sobre violência obstétrica é produto da invisibilização das mulheres e do apagamento de suas necessidades, uma vez que a sociedade brasileira não enxerga as dores e dilemas femininos como dignos de atenção, representação da violência de gênero e fomentadora da naturalização faça o problema. Dessa forma, uma problemática da violência obstétrica e grande reflexo da violência contra a mulher no Brasil. O Ministério da Saúde deve, portanto, promover a violência obstétrica entre a população,