A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 23/08/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. A frase retirada do poema de Carlos Drummond refere-se a um determinado problema enfrentado pelo indivíduo. Nota-se que, na interpretação do trecho, a violência obstétrica no Brasil pode ser associada a essa pedra, causada, muitas vezes, pela falta de ética dos profissionais, e sendo responsável por transtornos psicológicos para a vítima. Sendo assim, há necessidade de soluções.
Em primeiro plano, o documentário “Renascimento do Parto” apresenta relatos de profissionais da área da saúde e de mulheres vítimas de violência obstétrica. Dessa forma, o filme aborda a falta de ética e profissionalismo de alguns médicos, visto que, a maioria deles, estão preocupados apenas com o próprio trabalho, e não com o conforto e dignidade para a mulher. Além disso, esse tipo de violência não se restringe apenas no físico, mas também no psicológico. É notório que ocorre certa objetificação da mulher no momento do parto, o que deveria ser único e especial para a mãe e o filho se tornou em uma rápida cirurgia.
Ademais, de acordo com o filósofo Noberto Bobbio, a dignidade humana é uma característica intrínseca ao homem, capaz de dar-lhe o direito ao respeito por parte do Estado. Analogamente, a violência obstétrica fere a dignidade da mulher, uma vez que pode ocasionar transtornos psicológicos, tais como a depressão pós-parto e transtornos de ansiedade. Nesse sentido, de acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), uma a cada quatro mulheres desenvolvem esse tipo de depressão, oriunda de um momento de fragilidade emocional e seguida de uma tristeza profunda.
Portanto, é necessário que haja intervenção nesse cenário. Assim sendo, o Ministério da Saúde deve criar a “Semana Contra a Violência Obstétrica”, que apresentará relatos de vítimas dessa violência e a importância de um parto confortável para a mulher. Desse modo, o evento será de fácil acesso, por meio de canais de televisão aberta, como a rede Globo, a fim de que conscientize toda a população, em especial os médicos obstetras. Por conseguinte, a violência obstétrica não será uma “pedra”.