A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 31/01/2021

Em 2018, a Organização Mundial da Saúde apontou o Brasil como o segundo país que mais faz cesáreas no mundo. Cerca de 55% dos partos brasileiros foram cesárea e esse número aumenta para 84% se analisado apenas hospitais particulares. A quantidade ideal apontada pela OMS, porém, é de apenas 15%. A violência obstétrica, que é muito presente nos hospitais brasileiros que, entre tantas coisas, omite informações e induz a mulher a escolher pela cesárea, mesmo que essa não seja a melhor opção, é o principal fator para taxas tão altas e deve ser estritamente combatida.

O debate sobre violência obstétrica tem crescido gradualmente no Brasil e conta com milhares de depoimentos de mulheres que foram insultadas, mutiladas, ameaçadas e negligenciadas no momento que, de acordo com a sociedade, é o mais belo da vida. Uma das formas mais usadas de violência no parto é a epsiotomia, um corte na vagina feito para facilitar a saída do bebê. Esse procedimento, utilizado em pelo menos metade dos partos normais no Brasil, é indicado para uso em total necessidade que deve ficar entre 10% e 30%.

Conivente com essa violência que pode, além da dor física, causar depressão pós-parto está a grande indústria farmacêutica, que lucra com cada cesárea feita e cada medicamento desnecessário utilizado, como a ocitocina, colocada no soro para agilizar o parto. Em contrapartida e buscando diminuir a violência obstetrícia, estão os mais diversos tipos de partos humanizados, que tendem a respeitar o tempo de cada mulher para que o nascimento aconteça da forma mais saudável e natural possível, para o bebê e para a mãe. Essas formas, infelizmente, ainda são inacessíveis para grande parte das mulheres, seja pelo alto custo ou pela desinfirmação.

Para, então, combater a violência obstetríca no brasil, a mudança precisa ser estrutural. O Ministério da Educação deve incluir na grade obrigatória do curso de medicina uma disciplina que debata essa violência para que novos médicos a evitem. O Ministério da Saúde, por sua vez, em ação conjunta ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve fiscalizar constantemente médicos e enfermeiros acusados de tal violência, bem como propor debates de fácil acesso, e, principalmente, dialogar com a paciente e dar a ela possibilidades de escolha dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).