A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 30/01/2021
Na Somália, assim como em outros países africanos, é culturamente aceita a prática da mutilação genital feminina. Essa agressão milenar consiste na dilaceração, sem concentimento, do órgão sexual de mulheres - o que afeta fisicamente e emocionalmente suas vidas. Esse fato retratado pode relacionar-se a uma problemática que insiste em acontecer no Brasil: a violência obstétrica. A qual ocorre devido a fatores sociais e à industrialização do processo gestacional.
Em primeira análise, é indubitável que a mulher é secundária nas decisões que competem a suas vontades e ao próprio corpo durante o parto - apenas 29% tiveram direito, previsto em lei, a acompanhante, de acordo com a revista ‘‘Época’’. Segundo o filósofo Michael Foulcaut, o poder não se constitui de forma centralizada, e sim, de forma fragmentada por meio de fatores sociais. Assim, lamentavelmente, a gestante acaba por submeter-se ao poder instituído à equipe médica que, em muitos casos, impõe procedimentos indesejáveis. Aos quais as vítimas são impossibilitadas de reagir.
Ademais, a industrialização obstétrica nos hospitais objetifica a figura da mãe. Na série televisiva The Handmaid’s Tale, esse fato é retratado, ficcionalmente, por meio das Aias, as poucas mulheres férteis que sobraram e que por esse motivo são prisioneiras do Estado, possuindo sua humanidade desconstruída. Diante disso, em comparação à realidade, um momento que deveria ser tratado como importante e individual para a mãe, por se tratar da concepção à vida de um filho, é visto, na perspectiva do Sistema de Saúde, como uma forma de produção em larga escala. Consequentemente, procedimentos e uso de medicamentos com finalidade de acelerar o nascimento da criança tornam-se frequentes. Esses, por sua vez, geram cicatrizes, físicas e emocionais, próximas às multilações genitais africanas.
Portanto, pode-se inferir que a violência obstétrica é um problema vigente e carece de soluções. Para a conscientização de profissionais da saúde, urge que o ministério da saúde crie, por meio de verbas governamentais, uma campanha denominada “Parto Humanizado” que apresente métodos detalhados sobre como atender de forma individual e humana cada uma das gestantes. Somente assim, as mulheres terão plena confiança em realizar o trabalho de parto e lembrarão desse momento com marcas de felicidade.