A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 21/01/2021
De acordo com John Stuart Mill, filósofo britânico, sobre o seu corpo e mente, o ser humano é soberano. Entretanto, nos hospitais brasileiros, tal ideologia não é posta em prática, haja vista a violação da integridade humana, devido à existência da violência obstétrica. Dentro dessa realidade, convém analisar como não só a perda de empatia, mas também a infraestrutura educacional, intensificam a problemática.
É importante pontuar, de início, que a educação superior na área da saúde é subfinanciada no Brasil, tendo em vista a carência de hospitais universitários, bem como a falta de professores qualificados. Nesse cenário negligente, a formação íntegra dos estudantes torna-se utópica, o que proporciona à sociedade, por meio do mercado de trabalho, profissionais de saúde incapacitados a suprir demandas sociais. Isso fica evidente quando percebe-se, através dos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que o parto cesárea prevalece em detrimento do normal, uma vez que requer menos esforço de quem faz o procedimento, porém, é danoso à mulher, devido à cicatrização delicada, por exemplo.
Além disso, a contemporaneidade é marcada pela falta de empatia, graças ao exacerbado individualismo. Isso ocorreu porque, conforme Zygmunt Bauman, a lógica hipercapitalista subverteu o sentimento empático, o que causou, por consequência, menos afetos nas relações sociais. Prova disso é, verificar o tratamento de saúde pública ofertado às parturientes, pois, de acordo com a revista Veja, 25% das gestantes sofreram violências durante o trabalho de parto, tais como: cirurgia sem anestesia, banho frio e falta de alimentação. Desse modo, o direito à integridade física e mental, assegurado constitucionalmente, é prejudicado.
Portanto, medidas intervencionistas são necessárias para resolver o impasse. Para tanto, compete ao Ministério da Educação disponibilizar à população um aplicativo útil tanto para mostrar a receita e os gastos envolvendo a educação superior quanto para denunciar instituições que não proporcionam ensino e infraestrutura coerentes com seus gastos.Paralelamente, concerne à sociedade, em parceria com sociólogos e os veículos de comunicação, disseminar, por meio de cartazes nos hospitais e campanhas televisivas, o quão importante é a empatia para uma vida social estável. Além disso, cabe as instituições de ensino promoverem debates e palestras acerca do assunto, a fim de conscientizar desde a adolescência sobre os direitos que as mulheres grávidas no período da gestação até o parto, para assim, evitar possíveis abusos médicos. Só assim, a violência obstétrica cessará na cultura brasileira.
Por conseguinte, a violência obstétrica cessará na cultura brasileira.