A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 17/01/2021

De acordo com o filósofo Stuart Mill, o ser humano é soberano de seu próprio corpo e mente. Contudo, essa ideologia não se aplica à realidade brasileira, tendo em vista que a violência obstétrica ainda é um grave problema no país. Esse cenário é fruto tanto do despreparo dos funcionários para lidar com gestantes quanto da crescente falta de empatia na sociedade. Desse modo, torna-se fundamental a análise desses aspectos, com o objetivo de resolver o problema.

Precipuamente, é importante pontuar que a principal causa que leva à perpetuação da violência obstétrica no Brasil é a falta de preparo do setor de saúde para lidar com mulheres grávidas. Isso pode ser comprovado por dados da rede Parto do Princípio, os quais evidenciam que 25% das gestantes já foram ofendidas ou agredidas nos hospitais antes, durante ou após o parto. Por causa desse despreparo, milhares de mulheres são submetidas à essa situação que envolve, por exemplo, xingamentos, negação do direito à acompanhante, alimentação e anestesia, sendo privadas de um parto humanizado e tornando a experiência traumática.

Ademais, outro fator que normaliza esse tipo de violência é a crescente falta de empatia na sociedade. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, as relações humanas têm se tornado líquidas, fato que favorece cada vez mais o individualismo. Por esse motivo, com as recentes modificações no comportamento do corpo social, a falta de altruísmo intensifica vários tipos de violência, inclusive a obstétrica, e impede que o impasse seja resolvido.

Portanto, diante do supracitado, urge a necessidade de resolver esse problema. Desse modo, é preciso que o Ministério da Saúde, por meio de cursos preparatórios gratuitos, prontifique o setor de saúde para receber e atender as gestantes de maneira respeitosa e empática, a fim de modificar o comportamento dos funcionários e evitar mais casos de violência obstétrica. Além disso, é necessário que a mídia, em parceria com sociólogos, disseminem a importância da empatia para a formação de uma sociedade harmoniosa. Por fim, será possível amenizar a violência obstetrícia no Brasil é concretizar a ideia proposta por Stuart Mill.