A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Apesar de a legislação brasileira garantir os direitos das gestantes antes, durante e após o parto, esses ainda não são aplicados, o que leva à persistência da violência obstétrica no Brasil. A causa desses crimes repugnantes está no desconhecimento das grávidas sobre seus direitos, e consequentemente, por falta de denúncia, a impunidade dos agressores.

Em primeiro plano, deve-se compreender que, como grande parte das gestantes não têm o devido acesso ao conhecimento - tanto sobre seus direitos, quanto da biologia e medicina envolvida em um parto - elas não percebem os abusos que sofrem. Prova disso, é a pesquisa “Nascer no Brasil”, feita pela Instituição Fiocruz. Nela, muitas mulheres alegaram que os médicos não permitiram acompanhante, fizeram procedimentos médicos não consentidos e até mesmo impediram que elas gritassem de dor. Apesar de toda essa violência, muitas delas não sabiam que isso é crime e que foram agredidas. Logo, mesmo com tantas consequências físicas e psicológicas, não denunciam os culpados.

Por consequência, os profissionais que cometem tais atrocidades seguem impunes e realizando procedimentos traumáticos. Prova disso, é que na pesquisa mencionada acima, muitas mulheres contaram que, por pressa e egoísmo, os médicos aplicavam soro de Ocitocina - hormônio para induzir dor e parto mais rápido - sem necessidade. Além disso, mantinham as grávidas deitadas o tempo todo, sem poder se alongar, andar ou mesmo gritar, para não se incomodarem . Nesse viés, entende-se que a frase de Karl Marx, " Priorizar o bem pessoal, em detrimento ao coletivo, gera dificuldades para a sociedade", mostra perfeitamente que o egocentrismo dos agressores causa a grande dificuldade da sociedade em superar o problema .

Portanto, mediante ao exposto, urge a aplicação de medidas para extinguir a horripilante violência obstetrícia no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde junto ás mídias, deve conscientizar as mulheres a respeito do problema. Isso pode ser feito através da criação de grandes campanhas, feitas com linguagem de fácil entendimento, que ensinem as mulheres o que é ou não permitido na hora do parto. Ademais, essas propagandas devem prover o número do disque-saúde, a fim de incentivar as denúncias de abusos cometidos, e assim, acabar com a impunidade dos agressores. Dessa forma, será possível extinguir o problema e garantir o parto humanizado para todas as mães.