A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 11/12/2020

De acordo com escritora Virginia Woolf, “De tudo que existe, nada é tão estranho como relações humanas, com suas mudanças, e sua extraordinária irracionalidade”. Nesse contexto, a citação supracitada expõe a precária realidade de cultura ética no século XXI, a qual reprime e desrespeita a sociedade, como o caso da violência obstetrícia presente no país. Por essa razão, faz-se necessário pautar a irregular rede básica de saúde e a precária gestão profissional.

Em primeiro plano, convém ressaltar a irregular rede básica de saúde como fator contribuinte para o ato de agressão contra mulheres gestantes. Conforme notícia publicada em 2015 pelo site Época, apenas 27% das grávidas brasileiras tiveram acesso a procedimentos para redução de dor, como os movimentos pélvicos durante o trabalho de parto. Desse modo, o exposto evidencia o descaso profissional nas maternidades do país, assim como as péssimas condições estruturais de hospitais, e a falta medicamentosa. Com isso, gera-se impasses para realizar partos que garantam o bem-estar de mães e recém nascidos, o que considera-se ato de hostilidade contra estes.

Em segundo plano, a precária gestão profissional corrobora a perpetuação da violência obstetrícia no Brasil. Segundo livro “A Era Vargas”, em 1953 o Ministério da Saúde foi instituído no governo de Getúlio, e visava atender todas as necessidades de saúde da população. Nessa perspectiva, a obra evidencia uma garantia ao atendimento de qualidade por seus servidores, o que difere da realidade observada nos dias atuais pela população, já que mulheres sofrem opressão durante a gestação ou no momento do parto, por médicos e enfermeiros das maternidades. Consequentemente, nota-se uma cultura ética decadente no país.

Em virtude dos fatos mencionados, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Logo, cabe ao Governo Federal aperfeiçoar as condições da rede de saúde pública, atavés do aumento de investimentos em infraestrutura e medicamentos, para que promova o bem-estar das gestantes, assim como reduza os casos de violência obstetrícia nos estados brasileiros. Além disso, o Ministério da Saúde deve aprimorar sua organização profissional, por meio da alteração de cargos dos servidores, a fim de reformar a gestão do Sistema Único de Saúde, em que busca-se melhoras no atendimento da população, e redução dos atos de agressão contra grávidas. Portanto, somente assim, será possível desenvolver as relações humanas e coibir a irracionalidade empregada por Virginia no século XXI.