A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 12/01/2021

“Se queres prever o futuro, estuda o passado”. Na ótica de Confúcio, a violência obstétrica é existente no Brasil desde o período da escravidão, no qual as escravas eram submetidas à mesma rotina de trabalho durante a gestação. Nessa perspectiva, nota-se uma lacuna no que se refere essa mazela, pois, em alguns casos, as mulheres são desprovidas de conforto e maus tratadas no momento do parto. Ora, uma imagem de desleixo e omissão que apadrinha no Brasil.

Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa temática. De acordo com a Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar social, físico e mental, em contrapartida, o Estado não efetiva tal princípio, uma vez que o desrespeito com as gestantes e, sobretudo, a má gestão dos serviços de saúde pública corroboram para essa agrura, assim, percebe-se que a violência obstétrica é estrutural por apresentar condições insalubres e degradantes. Logo, mostra-se um Governo ineficiente nessas conjunturas.

Por sua vez, outro vetor é o papel apático da sociedade nessa área. Na dialética de Clarice Lispector, “O óbvio é a verdade que ninguém quer ver”. Sob esse viés, quando imagens de precária discussão sobre esse assunto e, por tabela, o aumento do número de cesaria se tornam comuns, é indicativo para se exigir uma ação mais urgente da coletividade, pois, quando a preferência por esse procedimento é significativa tem-se uma desumanização e mercatilização da medicina, por esse um parto mais invasivo e, por extensão, mais lucrativo para os médicos. Dessa forma, é fulcral que o olhar coletivo reformule sua atuação, com o fito de haver melhorias.

Infere-se, portanto que, nessa problemática, o Estado deve aumentar os investimentos nessa esfera, por meio de verbas destinadas para tal área, ampliando as estruturas hospitalares e promover uma melhor qualificação dos médicos, a fim de barrar o percurso de todo o caos. Ademais, a sociedade precisa tonificar a tarefa de discussão sobre essa agressão, por intermédio de palestras educativas e, por tabela, documentários inseridos nessa causa, com o intuito de fomentar a consciência coletiva. Dessa maneira, para que a citação de Confúcio deixe de ser uma realidade brasileira.