A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 20/09/2019
Partindo do conceito que violência obstétrica é todo tipo de dano causado por profissionais da saúde a gestantes, nota-se que no Brasil é comum que a equipe responsável pelo trabalho realize procedimentos sem permissão e também façam críticas à paciente. Nesse contexto, é desprezível que a mulher não tenha um atendimento adequado em um momento de completa vulnerabilidade. Em uma primeira análise, o parto deve correr conforme a preferência da grávida, mas é visto que nem sempre ela tem poder de decisão. Porquanto, muitas vezes suas escolhas são ocultadas para que o médico escolha qual procedimento deseja realizar, ou seja, fica claro que ocorre o aproveitamento da condição de fragilidade para cometer a agressão. Só para exemplificar, apesar de não ser um procedimento recomendado pelo Organização Mundial da Saúde (OMS) na maioria dos casos, muitos hospitais ainda realizam a episiotomia – corte na região do períneo para ampliar o canal do parto – o que agiliza o processo, porém tem como consequência o dano físico na área, o que pode prejudicar a autoestima da parturiente. Ademais, a mulher precisa de apoio nesse momento, entretanto ouve comentários negativos, já que frequentemente os profissionais obstétricos criticam a gestante que faz muito barulho durante o parto, o que não tem dignidade humana, pois esse é o momento que ela deve ter a liberdade de expressar a sua dor e não se sentir obrigada a se conter. Nesse interim, de acordo com a linha de pensamento do filósofo Jean Jacques Rousseau as pessoas nascem livres e por toda parte estão acorrentadas, logo, se faz necessário que medidas sejam tomadas para evitar toda essa agressão e propiciar um parto estruturado, acolhedor e seguro para todas. Em suma, uma vez que muitas mulheres não conhecem seus direitos durante o período de gestação, cabe ao terceiro setor – composto por pessoas que buscam se organizarem para conseguirem melhorias na sociedade – por meio de palestras em locais públicos, como escolas e hospitais, detalhar os tipos de violência obstétrica que podem ocorrer. Só para ilustrar, ele ainda deve informar sobre a ouvidoria do Ministério da Saúde (MS) a qual recebe denúncias de atendimentos inadequados. Assim, gradativamente a violência obstétrica será eliminada e para Rousseau finalmente as pessoas perderão as correntes.