A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 03/09/2019
Hannah Arendt, em uma de suas obras, discorreu sobre “as banalidades do mal”, conceito que consiste na indiferença das pessoas diante de problemas aparentemente irrelevantes. De maneira análoga, a violência obstétrica em questão no Brasil pode ser comparada à teoria da pensadora, pois parte da sociedade brasileira ignora a violência envolvida em muitos partos. Nesse sentido, é necessário analisar os desafios para partos mais humanizados.
Em primeira instância, é importante frisar a existência do paradigma de que a opinião médica é soberana, o que contribui para o aumento de procedimentos sem consentimento da paciente. Sendo isto ilustrado por dados da revista Época que apontam que cerca de 40% das mulheres recebem medicamentos ou são submetidas a métodos arriscados sem necessidade. A exemplo disso pode-se citar a episiotomias (corte da vagina ao períneo para agilizar o parto). Dessa maneira, muitas mulheres não denunciam a equipe médica por medo de serem mal vistas por uma sociedade que acredita que as atitudes desses profissionais são as mais corretas.
Além disso, é indubitável que a falta de investimentos governamentais neste setor têm papel preponderante para a persistência do problema. Comprovando assim, que a ideia de Aristóteles de que é dever do Estado garantir a harmonia da sociedade encontra-se deturpada. Visto que, a ineficácia da legislação que ampara as gestantes é uma realidade brasileira. Assim, tornam-se frequente abusos, sobretudo por parte da equipe médica, e desse modo o direito à integridade física assegurado constitucionalmente é prejudicado.
Diante do exposto, pode-se concluir que medidas devem ser tomadas para diminuir os índices de violência obstetrícia no Brasil. Para isso, o Governo pode aumentar o destino de verbas para este setor da saúde com o fito de capacitar mais profissionais, melhorar a infraestrutura de hospitais e maternidades e intensificar as leis que amparam as gestantes. Somado a isso, é necessário que o conhecimento acerca dos procedimentos mais benéficos à saúde dos pacientes seja difundido, para que a sociedade possa denunciar o que for contra isto.Para isso, o Ministério da Saúde em conjunto com as ONG’s podem realizar seminários e palestras sobre o assunto. Por fim, a mídia deve intensificar campanhas que informem