A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 22/08/2019
Desde o início da construção da sociedade convencionou-se que as mulheres possuem vocação natural para a maternidade,e que ter filhos não deve ser uma escolha e sim uma regra.Dado que a autonomia feminina foi e ainda é fortemente cerceada pela estrutura patriarcal.Nesse cenário,as decisões e vontades do gênero feminino são constantemente silenciadas,e graves questões como a violência obstétrica têm sido banalizadas.
Em primeiro plano,é importante ressaltar que embora a prática da violência contra grávidas e parturientes seja uma discussão atual,tal problema é arcaico.Com efeito,a naturalização dessa questão é a principal adversidade,visto que muitas mulheres que já foram expostas à situações de violação durante a concepção não reconhecem esses acontecimentos com a devida gravidade.De maneira que ameaças,gritos,indução do parto e o total descaso com os desejos da gestante não são tratados como danosos,até mesmo por uma parcela expressiva dos médicos.
Ademais,a cultura machista enraizada no corpo social exerce influência significativa sobre a ocorrência da violência obstetrícia.Uma vez que o controle do corpo feminino sempre foi uma questão central do patriarcado.Nesse contexto,temas como o tabu da virgindade,a criminalização do aborto e as violações cometidas no âmbito da gravidez e do parto,são exemplos de como a voz feminina é amiúde diante de casos em que a opinião da mulher deveria ser a principal e única.
Logo,torna-se mister tomar medidas para reverter o panorama alarmante da violência obstétrica.Cabe ao Ministério da Saúde garantir o reforço da atuação do programa de auxílio à gestantes Rede Cegonha,por meio de sua ampla divulgação.A fim de assegurar o parto humanizado e o planejamento reprodutivo adequado.Cabe também às instituições de ensino suscitar a discussão sobre o machismo,por meio de debates e palestras,com o auxílio de especialistas,a fim de evidenciar seus reflexos negativos na sociedade.Só assim,a mulher terá de fato autonomia.