A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 20/08/2019
O projeto “1:4”, da fotógrafa Carla Raiter, apresenta imagens de mulheres brasileiras vítimas de violência obstétrica - que se caracteriza como toda e qualquer forma de agressão, por parte do médico ou da equipe hospitalar contra as gestantes em situação de parto ou puerpério. As consequências de tal brutalidade se fazem constantes no dia a dia das vitimas, prejudicando o psicológico e a relação com seus corpos.
Primeiramente, é de suma relevância destacar os altos índices de mulheres que passaram por esse tipo de violência em seus partos. Segundo dados apresentados na revista Época, cerca de 24,8% das gestantes que deram á luz já foram desrespeitadas e maltratadas pelos médicos. Somado a isso, cerca de 71% das grávidas não tiveram a permissão da companhia de um familiar ou conhecido durante o nascimento da criança, visto que a mesma está prevista em lei desde o ano de 2005, fazendo com que o parto tivesse o significado de algo absurdamente torturante.
Em segundo plano, grande parte das vítimas têm sequelas da violência. Algumas delas relatam que os obstetras fizeram o procedimento conhecido com episiotomia - incisão feita na área do períneo - de forma inadequada, violenta e, muitas vezes, desnecessária do ponto de vista médico, possivelmente prejudicando o bebê. Outra consequência ainda a ser citada é a perda de recém-nascidos devido a complicações no parto, tornando a agressão ainda mais dolorosa para a mulher.
Diante do exposto, urge que o Governo Federal, por meio do Ministério da Mulher, promova o acompanhamento profissional feminino no momento do parto, com o objetivo de garantir não só que o processo ocorra da melhor maneira possível, mas como também o bem estar da gestante. E ainda, estimule a punição de obstetras que se propõem a executar a agressão de forma pejorativa contra a paciente. Feito isso, as fotografias apresentadas na obra de Carla Raiter deixarão de ser comuns na sociedade brasileira.