A violência obstetrícia em debate no Brasil

Enviada em 02/09/2019

A violência obstétrica em discussão

De acordo com a pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2010, uma em cada quatro mulheres no Brasil sofreu violência obstétrica. A violência obstétrica trata-se de um atendimento desumano que envolve o nascimento do bebê, de forma que silencia a voz da parturiente a respeito das decisões dos procedimentos realizados em seu corpo, além de constituir de agressões verbais e físicas durante o trabalho de parto. Logo, a violência obstétrica em debate é essencial no Brasil, visto que é fruto do machismo e desumaniza o parto.

Decerto, a polêmica acerca da violência obstétrica tem como causa a predominância do machismo no país. Esse machismo é caracterizado como dominação do homem em relação à mulher. Nessa perspectiva, é evidenciado pela falta de autonomia da progenitora a medida que inúmeros hospitais acometem abuso de poder na realização de procedimentos sem o consentimento da mulher, tornando a opinião médica soberana e indiscutível. Esse fato é notado pelas pesquisas que evidenciam que a cesárea é imposta pela sociedade médica brasileira, sendo que a OMS recomenda o parto normal. Nesse sentido, de fato, a discussão da violência obstétrica é essencial, já que a cultura machista estabelece regras para subordinação da mulher.

Ademais, é preciso salientar a respeito da falta de humanização no processo de parto, que torna a questão da violência obstétrica bastante séria no Brasil. Essa desumanização é comprovada pelo meio hospitalar extremamente violento para a mãe e para o bebê. É, nesse meio, que a mulher é obrigada a se silenciar quando a dor insiste para que ela grite. Além disso, há muitos abusos médicos, constatados pelas pesquisas científicas, que realizam corte do períneo, introdução de soro com oxitocina para a aceleração do processo de nascituro, indo na contramão das recomendações dadas pelo OMS. Assim, a violência no momento de parto constitui uma desumanização muito frequente nos hospitais em todo território brasileiro, e, por isso, é essencial o seu debate.

Destarte, não se deve ignorar a violência obstétrica, resultado de uma cultura machista que desumaniza a vida. Desse modo, deve as mídias brasileiras alertar a população acerca da violência obstétrica, visto que grande parte dos brasileiros desconhecem a problemática, por meio da TV, dos noticiários, e da imprensa, realizar propagandas e disponibilizar leitura educativa a respeito do assunto, para que a população torna-se mais conscientizada das formas de violência contra a mulher. Dessa maneira, pode-se prevalecer o debate, chamando a atenção para a humanização na hora do parto.