A violência obstetrícia em debate no Brasil
Enviada em 22/07/2019
Em um episódio, do seriado televisivo Grey’s Anatomy, é relatado a história de uma paciente a qual, contra a sua vontade, é submetida a uma cirurgia cesariana de risco para acelerar o processo do parto. Analogamente, tal enredo ilustra de forma romantizada como a violência obstétrica afeta a realidade de inúmeras grávidas, configurando-se em um grave problema de saúde pública. Vale ressaltar, dessa forma, as principais causas desse fenômeno, além de como evitá-lo, na sociedade verde e amarela.
Em primeira análise, observa-se, sobretudo, a cultura da relação de poder tóxica entre médico e paciente como agente propulsor da violência obstétrica. De acordo com a pesquisa realizada pela revista Época, 25% das grávidas brasileiras já foram desrespeitadas no momento do parto. Assim, a submissão das gestantes, idealizada pela mídia, pode reverberar em situação traumáticas, uma vez que a mulher está passiva aos maus-tratos da equipe de saúde.
Ademais, em segunda análise, o machismo inconsciente, intrínseco à conjuntura nacional, contribui para a objetificação do corpo feminino, acentuando tal cenário. Nesse âmbito, a Constituição Cidadã, de 1988, a qual garante proteção à mulher contra os abusos médicos, torna-se contraproducente, posto que a violência obstétrica persiste, sem punição, na sociedade canarinha, contribuindo com a soberania nociva do homem.
Portanto, para que a negligência médica concernente ao parto deixe de ser realidade no Brasil, é impreterível uma intervenção. Por isso, é de suma importância que a câmara dos deputados elabore uma lei que incorpore aulas obrigatórias, na grade curricular de formação dos profissionais da saúde, com obstetras e filósofos, as quais abordem temáticas como a opressão das gestantes. Além disso, a interdisciplinaridade com a ética é fundamental, a fim de desconstruir tal visão romantizada acerca dessa violência, para que, somente assim, seja possível conter esses casos na sociedade.